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Renato Prado






O LOUCO E A CHUVA

 A campainha é tocada. --- Quem é?--- É a chuva! E você quem é?--- Eu sou o louco! Mas, espere um minuto, chuva não fala!--- Claro que fala! Pois eu não estou falando?--- Isso é verdade! Mas como vou saber se vossa senhoria é mesmo a dona chuva?--- Sinta o clima de brisa. Sinta meu cheiro. É perfume de chuva fresca e calma!“Como assim” ?---- pergunta o louco coçando os poucos cabelos---- Então existe várias de sua espécie, tem chuva calma, chuva violenta, chuva molhada, chuva seca, chuva de água, chuva de chuva ---- acaso vossa senhoria não é uma só?  Abre logo, diz a chuva tocando novamente a campainha--- você tem que Ter fé! Como posso me mostrar à você se não abre a porta? --- espere! Diz o louco assustado dando mais uma volta, fechando de vez a porta.---- Não se deve abrir a porta à qualquer um! Ainda mais para um louco de voz estranha que se diz chuva.  Que é, pensa que sou louco? Pergunta o homem ao objeto não identificado atrás da porta, já imaginando o apartamento cheio de água.Mas a chuva, insistente, retruca --- Mas eu não sou homem, não tenha medo! Já lhe disse que sou chuva, fresca e calma.---- E eu ,já lhe disse que chuva não fala! Completa o louco com água até o pescoço. Anda pelo apartamento assustado já pensando que irá morrer afogado, o que fazer?!!! Pular da janela, se esconder no guarda – roupa, trancar mais a porta, debaixo da cama talvez, contra chuva não tem jeito! “ vou morrer afogado”. Abre mais a janela, para a torrente de água passar, na tentativa de esvaziar o apartamento.Olha paro o alto, grita: Meu deus, será que estou louco?Mais uma vez a campainha é tocada, desta vez mais forte. E a “coisa” atrás da porta, insistente, continua:---- Vamos, abra! Tenha calma, venho em missão de paz, estou cansada de andar por esta cidade, quero somente água e um bom banho!---- Chuva não bebe água, e muito menos toma banho! Ponha – se para longe daqui, grita o homem, já decidido a não abrir porta.---- Já te disse que, sou chuva sim! E venho em missão de paz.Vim refrescar os homens e lhes darem perfume de brisa.Mas se não acredita, vou – me embora! Pois tenho pressa --- Reunião marcada no espaço!Já vou indo, até breve!O louco, aliviado, senta no sofá molhado, e fica esperando ansioso o apartamento esvaziar. Cosa a cabeça, pensa e pensa ...Mas, em sua fértil imaginação, o apartamento se enche de água, cada vez mais.“Não tem outro jeito vou Ter que abrir a porta para a água sair --- Seja o que deus quiser”.Na dúvida, acende o esqueiro, pronto para detonar a inimiga molhada, se acaso não estiver ido embora. E vai lentamente abrindo a porta.Daí, olha, primeiro um olho, depois o outro, é preciso cautela! Felizmente ninguém está do outro lado.E o louco respira aliviado. Agora já seco e de apartamento esvaziado. De novo cosa a cabeça e pensa entrigado:--- Quem será o louco que tocou a campainha?  

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