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JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA






APRENDIZ DE DIVAGAÇÕES

                       O teto, acima de mim,Jaz sólido:Ainda sim,Transidamente,Eu o olho.  Escalavrado pela impotência,Pelo vácuo, pelo tédioDe afluirmos,Deliberadamente,Ao estuário da vida,Deixo-me domarPelo sobrepujante cavalgarDo heliocentrismo da elegia.  Pesarosas lágrimas silentesE invisíveis rolam-mePor sobre a epiderme:  Crianças ao bel-prazerDo ódio como agasalhoDa devoluta alma,Devoluta pele e osso,Devoluta mente,Devoluto corpoSorvem a seiva da iraContra o Éden misericordioso.         A eloquente voz de um homemEsculpe, esmerila e gritaA oração: --- Sim, nós podemos, irmãos!  No entanto,Será que esta sentençaGanhará eco de materializaçãoNo reino, hein, das vis-metais mentes e preconceituosos corações?    Não,Tal convicção não acalentaMeu escaldado ente-razão,Mesmo quando agoraO contemplo segurando,Firmemente, o poderoso cetroQue norteia o rebanhoDas extáticas cabeçasQue, pelo obliquo caminho, vão.   Na verdade,O que, cotidianamente,Vejo é a construção --- cada vez mais célere ---De megalópoles quatro palmosAbaixo do chão.  Na verdade,O que, cotidianamente,Vejo são vales de incauto sangue derramadoRegozijarem os galhardos iconoclastasDa sábia vida prolífica:O escárnio á longevidade da sua celebração, sua mádida magia!      TestemunhoQuerelas que libam,Avidamente,O vinho da ganância por poderAbrir sulcos e craterasNa mansão do nosso altruísmo.  TestemunhoO gradiente do egoísmo e da maldadeAçambarcar-se, avolumar-se,Caminhar de mãos dadas com a ubiquidade,Tornar-se loquacidade, astuto E voraz canibalismo onipotente:O arrebate do arrebol da crueldade iminente e a corrosão selvagem,Chama alimentando a sequidão leviana, alarveQual ansiosamente se encontraÁs portas do sol que liberta A aura da universal supernova hecatômbica, fúnebre, funesta!   Enfim,O teto, acima de mim,Jaz sólido:Contudo o liquefaçoCom o lume dos pensamentosQue emana da íris dos meus olhos opacos.  Sim,Contemplo, como se estivesseConfinado numa câmaraHermeticamente fechada,A insensibilidade degustar-nosIncomensuravelmente deleitada.    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://bocamenordapoesia.webnode.com.pt/  

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