Jose Airton Memoria da Silva






OLHAR DE ANASTÁCIA

Anastácia é uma jovem que recentemente completou seus 18 anos de idade. Ela se tornou uma mulher muito bonita e saudável, entretanto, talvez algo que ainda trazia consigo dos tempos da adolescência seja a imaturidade e a falta de discernimento para enxergar os perigos escondidos aos arredores do meio em que vive, algo tão peculiar e característico aos jovens de modo geral.
Para comemorar a maioridade, Anastácia resolveu abraçar a liberdade que tanto desejou e que acabara de conquistar. Ela e o amigo de infância Rafael que compartilha da mesma sensação de que as rédeas foram rompidas, na premissa de que não há limites no horizonte do futuro. Na concepção deles o mundo é pequeno para tantos planos e sonhos a se realizar.
Doce ilusão, tão ingênuos, mas ao mesmo tempo tão entusiasmante esse raciocínio que torna tudo que é complexo numa simplicidade de ações.
Os dois amigos libertos pela idade, porém não financeiramente, organizaram uma grande festa como símbolo de uma vida nova que se apresenta a eles. Anastácia e Rafael alugaram uma casa noturna contando com aporte de dinheiro dos pais.
Os dois jovens se dedicaram com afinco para ornamentar a boate para receberem amigos e convidados. Foram confeccionados 200 convites individuais e personalizados nominalmente. Afinal em uma ocasião singular, nada mais justo do que haver somente pessoas benquistas. E quanto aos indesejados? Bem... Se depender deles ficarão observando a distância.
A casa noturna foi escolhida por comportar até 210 pessoas e também por possuir uma ótima acústica, de modo que o som é retido ao ambiente interno e não se propaga para o ambiente externo. Essa é uma precaução para não importunar os vizinhos, pois seria bastante frustrante caso eles chamassem a polícia por conta do barulho.
Na noite da festa, tudo ocorre conforme fora planejado, as pessoas parecem felizes, o ritmo eletrônico e o heavy metal que o DJ selecionou no repertório agradam a
todos os 200 jovens presentes na boate. Tudo que se imagina encontrar nesse ambiente é observado por Anastácia que se depara com um grupo de jovens ao fundo do salão de festa, eles estão mais isolados enquanto fazem uso de entorpecentes. Em outra cena, um casal abdicou do pudor por completo, a mulher que foi à festa de vestido, segurava a calcinha na mão e galopava no colo do rapaz que estava sentando numa cadeira com o cinto desafivelado e com o zíper aberto. Esse episódio ocorria no meio do salão à vista de todos e era algo que parecia tão natural que ninguém aparentava notar ou se incomodar com aquilo, exceto, Anastácia que se sentia um pouco constrangida por ainda trazer com ela traços de moralidade bastante conservadores, tanto que ela ainda conserva a virgindade. O irônico é que ela é uma garota que deseja dominar o mundo, só que não sabe ainda muito bem como lidar com a sexualidade existente nele.
E apesar desses fatos que não a agradam, Anastácia decide que não será ela a estragar a noite querendo impor regras de como devem se comportar os convidados na festa. Até porque eles não fazem parte da sua cota dos 100 convites, foram chamados por Rafael que também teve direito a 100 convites, então, se alguém tiver que intervir que seja ele.
Sexo, droga e rock’n roll, o evento deles possui todos os atributos para ser classificado como bem sucedido.
Como em toda festa, sempre ocorre alguns incidentes provocados pelo consumo de bebidas alcoólicas, assim, por vezes acontece de copos serem quebrados ao caírem ao chão. Anastácia e Rafael como bons anfitriões ficam atentos para recolherem os cacos para que ninguém se machuque.
O depósito destinado ao lixo a essa altura já está abarrotado, é preciso esvaziar. E com toda pró-atividade, os dois se encarregam de recolher e colocar o lixo no contêiner na área externa e assim o fazem.
Depois dessa tarefa, os dois param por um instante para admirarem a lua que àquela altura estava tão linda e reluzente com o brilho que encanta e fascina aos namorados. Anastácia a admira com pensamentos que voam longe, ela dá um longo e profundo suspiro, quando volta a si nota que Rafael já estava retornando à boate, ela ainda fica por alguns momentos admirando a noite, só que quando resolve voltar, percebe uma pessoa espreitando a festa perto da porta de entrada.
Era alguém de aspecto que de certo modo causava ranço aos olhos de Anastácia, Ela vislumbrava com certa repulsa uma figura feminina esquelética, com olheiras profundas, cabelos maltratados e amarfanhados, com vestido maltrapilho e boca enrugada. Não era Anastácia capaz de dizer se aquela pessoa era jovem como eles ou não.
- Boa noite, senhora, posso ajudar? Diz Anastácia.
- Mim convide.
- Oi?! Anastácia fica sem reação, ela não sabe como agir, foi surpreendida tanto por aquele português errado, quanto pela situação em que se encontra. Ela não sabe ser indelicada, contudo, é nesta hora que deveria prevalecer o bom senso e a prudência. E isso faltou a Anastácia que convidou aquela mulher de poucas palavras a entrar e se sentir à vontade para participar da comemoração.
A mulher olhou profundamente dentro dos olhos de Anastácia e sem dizer uma única palavra, tornou rígida a boca que era enrugada com um largo sorriso de satisfação. Essa ação atingiu no íntimo da alma de Anastácia que se contorceu em calafrios e arrepios.
As duas entraram e Anastácia de imediato procurou por Rafael para lhe contar do ocorrido. Ela mostrou de forma discreta a mulher para ele, que entusiasmado com a música perguntou do que ela estava falando, pois não estava vendo ninguém além de todos que estavam se divertindo, assim disse para a amiga relaxar e aproveitar o momento. Anastácia ficou calada e incomodada com aquela situação que lhe inspirava preocupação.
A festa prosseguiu e transcorreu sem qualquer tipo de transtorno, com organização impecável. Rafael ao final dela até arranjou uma namorada e a levou em casa, esquecendo-se de Anastácia que teve que se virar e chamar um Uber para ir embora. O carro chegou rápido e ela abriu a porta do passageiro para entrar e quando ia fechar a porta viu aquela mulher com o mesmo sorriso e olhar que lhe causavam constrangimento e repulsa. A mulher fazia menção de entrar, mas ela parecia aguardar algo. Anastácia olhou em volta e enxergou somente um ambiente deserto, não lhe parecia correto deixar àquela senhora ali sozinha a esmo. Ela olhou para aquela figura
que permanecia com o mesmo semblante e sorriso, só mudou de postura quando inclinou a cabeça para dentro do carro em direção a Anastácia e disse sussurrando:
- Mim convide!
Anastácia ficou gélida sem reação, ela olhou para frente, onde viu o motorista, um senhor com certa idade que lembrava a do seu avô, lhe fitando até soltar algumas palavras.
- Então, vamos senhorita? Preciso que feche a porta para que possamos terminar a corrida, já é muito tarde.
- Tudo bem. Diz Anastácia a ele. Nesse instante ela olha para a mulher e a chama para entrar, que de imediato se mete no interior do veículo.
Após alguns instantes de silêncios, Anastácia pergunta o nome dela que prontamente lhe responde com aquele sorriso perturbador.
- Pandora.
Não há clima para estabelecer um diálogo mais prolongado, Anastácia está paralisada, totalmente receosa com aquela mulher que lhe dá medo. O motorista a visualiza pelo retrovisor interno com o semblante de quem não está entendendo nada, ela se dá conta da encarada dele e constrangida desvia o olhar para suas mãos que se entrelaçam fortemente ao se apertarem sobre os joelhos. E assim permanece até chegar ao destino estabelecido, rapidamente realiza o pagamento da corrida e de cabeça baixa sai do carro sem dar atenção àquela mulher.
Depois de descer do carro, ela respira fundo e se vira para ver se a mulher foi embora. Anastácia observa o carro se deslocar enquanto Pandora a encara com a mesma feição medonha. E uma das últimas cenas que presencia é aquela mulher inclinando a cabeça enquanto a encara ao mesmo tempo em que com as mãos abraça o pescoço do motorista que não demonstra reação ou mesmo se incomodar.
Anastácia perde o sono naquela noite pensando em tudo que vivenciou e principalmente naquela mulher. Os dias passam, entretanto os pensamentos da jovem são sempre os mesmos.
Após se passar uma semana desde aquela festa, começa a correr pela cidade a notícia de que algumas pessoas estavam perdendo a vida de forma misteriosa, pois estavam morrendo sufocadas. Anastácia acha isso estranho, principalmente, porque todas as vítimas tinham algo em comum, já que elas eram pais ou avós dos jovens que estavam no evento que Anastácia e Rafael organizaram.
Anastácia pega o jornal e fica perplexa com uma notícia que lê e que faz referência a um idoso que morreu sufocado depois de fazer uma corrida de Uber. Ela olhou atentamente a foto na manchete e reconheceu aquele senhor como sendo o motorista que a levou para casa naquela noite. Anastácia ficou muito assustada e em pânico, para ela era óbvio que Pandora tinha algum tipo de envolvimento naquilo.
Diante desses casos de mortes de idosos, Anastácia teme por Cabral e Magnólia, que são os avós dela e que já possuem uma idade bem avançada. Eles não têm mais aptidão para se defenderem. E para piorar eles moram sozinhos, sendo acompanhados por uma cuidadora. Diante disso, Anastácia enxerga nesse panorama que eles dependem dela para protegê-los.
Ela resolve visitá-los constantemente para se certificar que os dois estão bem. Em uma dessas visitas, após uma semana nessa rotina, Anastácia aperta a campainha, Magnólia abre a porta e ao bater os olhos na neta se desmonta em felicidade que contagiou Anastácia que retribuiu com um afetuoso sorriso. Tudo parecia perfeito, entretanto Anastácia sentiu um calafrio no pescoço que a fez desfazer o sorriso, ela olhou para o lado e viu Pandora à direita com o mesmo sorriso aterrorizante de sempre. Anastácia ficou rendida sem saber qual atitude tomar naquele momento.
- Mim convide! Fala Pandora olhando e sorrindo para elas.
- Entre! Convida Magnólia feliz da vida ao escancarar a porta.
Pandora sem titubear toma a dianteira e adentra a casa, enquanto passa por Anastácia a encarando com aquela mesma expressão habitual e característica própria dela.
Sem perder tempo, Anastácia entra preocupada com a presença de Pandora ali. Ela não consegue achar a intrusa na sala, o que a deixa ainda mais preocupada.
- Você está bem, Vó?
- Estou sim, minha filha. Por que está perguntando isso?
- Por nada! É só preocupação mesmo. E o vô Cabral, cadê ele?
- Ele está no quarto descansando um pouco. Ele disse que não acordou muito bem hoje.
Um barulho estrondoso de algo caindo no chão rompe a sala, onde as duas estavam conversando. Elas saem em disparada em direção ao quarto de onde veio o barulho, Anastácia ao chegar lá encontra Cabral caído no chão num estado de agonia com os olhos arregalados enquanto segurava o pescoço com as duas mãos. Ele olha para Anastácia como quem pede ajuda com o olhar sem conseguir falar nada.
Anastácia desesperada liga para a emergência e enquanto a ajuda não chega, ela coloca a cabeça do seu avô sobre as pernas na tentativa de lhe manter confortável até ser socorrido. Em todo esse ocorrido, Pandora se encontra de joelhos sentada sobre os calcanhares e com as mãos descansando sobre os joelhos. Ela olha com aquele sorriso intrigante para o semblante de aflição de Anastácia que histérica chora muito naquele momento de tanta preocupação com a saúde do avô.
Magnólia adentra ao quarto e ao presenciar o marido naquela situação também se desespera. Pandora, vendo a chegada dela, trata logo de se levantar e caminha passando por cima do corpo de Cabral se deslocando em direção a Magnólia, que de tão assustada leva a mão ao peito, ela vai se sentando no chão, enquanto o corpo é amparado pela parede. Agora, Anastácia está muito mais abalada.
Ouve-se o ressoar de uma sirene no lado de fora da casa, Pandora detém seus passos e se afasta do ambiente repentinamente. Era a ajuda médica que chegava naquele momento, os socorristas agiram de forma crucial e realizaram os primeiros procedimentos antes de levarem o casal de idosos ao hospital, onde foram internados numa unidade de terapia semi-intensiva.
Anastácia permaneceu no hospital aguardando por notícia do quadro de saúde deles. Vez ou outra os médicos permitiam a entrada dela numa sala de onde poderia acompanhar à distância os dois através de um vidro. No leito havia mais três pessoas com os avós dela. Como não existia nenhum tipo de risco para os pacientes quanto à presença de Anastácia naquele ambiente, ela foi autorizada a permanecer lá.
Preces fervorosas são feitas constantemente pela jovem que ora para que os avós se recuperem. Anastácia faz isso enquanto os observa sob a cama de um leito de hospital. Em certa ocasião ela nota a presença de Pandora parada lá entre os enfermos, Anastácia esmurra a parede de vidro para que Pandora saia de perto dos doentes, porém, ela mantém o sorriso diabólico tão peculiar no rosto ao encarar Anastácia.
Pandora se aproxima de um dos doentes que está ao lado de Cabral, ela para junto ao moribundo e com uma das mãos aperta o pescoço dele que devido a sedação nada pode fazer para se defender. Pandora faz isso ao encarar os olhos marejados de Anastácia, ela sente prazer na tortura que provoca na jovem, assim, Pandora usa a outra mão para estrangular o enfermo, à medida que dá gargalhadas diabólicas. O monitor multiparamétrico soa o alarme de que o paciente está perdendo os sinais vitais. A equipe médica chega para tentar reanimá-lo, mas já não há o que fazer, ele está morto.
Anastácia chora copiosamente atenta a Pandora que fica estática com o mesmo sorriso já de olho em Magnólia. Ela intercala encaradas a Anastácia e Magnólia, até que começa a se dirigir a pobre idosa que está em coma. Anastácia grita, chora e bate com as mãos no vidro freneticamente.
A equipe médica que cuidava do paciente falecido, vendo aquela reação da jovem fica incomodada, de modo que uma enfermeira se dirige a ela e puxa a cortina para que Anastácia não presencie o procedimento pós-óbito que ocorre lá, a equipe sai do leito com corpo no invólucro em direção à anatomia. Entretanto, a cortina não encobriu a visão de Anastácia por completo, ficou uma pequena fresta por onde ela conseguia enxergar a cama com sua avó Magnólia e assim ficou com o rosto colado no vidro para enxergar melhor, quando de repente...
- Pah! Pandora bate as duas mãos espalmadas no vidro, soltando um grito demoníaco em direção a Anastácia – Uhaaa! Ela ainda desliza as unhas no vidro provocando um ruído irritante.
Anastácia leva um susto, coloca as mãos nas orelhas, fecha bem olhos e grita de medo ao mesmo tempo em que cai para trás sentada no chão. Ela se recompõe e se levanta rápido e corre para o vidro, onde bate nele, grita e chora clamando por ajuda ao ver Pandora caminhar em direção a Magnólia. Pandora enfia uma das mãos no peito da senhora que mesmo sedada se contorce de dor.
Os gritos desesperados de Anastácia chamam a atenção de Miguel que corre para acudi-la. Ele é o médico intensivista responsável por aqueles pacientes internados na unidade de tratamento semi-intensivo. Anastácia apontando para o leito da avó o suplica para que ele a salve.
Miguel ao ver por aquela fresta a paciente se contorcer, corre para prestar os procedimentos emergências. Os equipamentos não deram o alarde de que a paciente estava em estado crítico e que necessitava de uma reanimação cardiopulmonar. Ligeiramente ele fez uso do desfibrilador, o choque fez com que Pandora recolhesse a mão, conseguindo assim Miguel restabelecer e estabilizar os batimentos cardíacos da paciente.
Passado o susto, o médico abre a cortina e volta à sala onde estava Anastácia que chorava e soluçava.
- Você viu o que Pandora fez?
- Quem é Pandora? Pergunta Miguel.
- Ela estava matando minha avó, você não a viu lá?
- Não tinha ninguém lá com sua avó! Diz ele abraçando ela para acalmá-la enquanto parece procurar com os olhos algo naquele leito que deixou a jovem tão assustada.
Anastácia conta toda a história a respeito de Pandora para Miguel, que parece não dar muito crédito para o que escuta. Contudo, ele relata que recentemente tem recebido muitos pacientes que apresentam os mesmos sintomas, algo que julga muito incomum. E por mais que a história dela não tenha lhe convencido, ela conseguiu colocar uma pulga atrás da orelha dele, pois lhe parecia que havia algo estranho e desconhecido ali e que talvez estivesse por trás de todas as mortes registradas recentemente sob as mesmas circunstâncias.
Ele escutava atentamente o que Anastácia dizia, só que de repente ela parou de falar, seus olhos se esbugalharam e ela foi elevada às pontas dos pés, ao passo que buscava o chão com eles. A saliva não lhe descia na garganta, faltava-lhe o ar necessário para respirar. Miguel assistia sem entender nada, ele queria ajudá-la, mas não
sabia o que fazer. Anastácia enquanto lutava para respirar olhou para o vidro, onde viu o reflexo de Pandora atrás dela lhe erguendo e apertando o pescoço para lhe sufocar.
Anastácia lutou e conseguiu se desvencilhar de Pandora sem muitas dificuldades, ao que parece ela não possui força suficiente para matar Anastácia.
Pandora ficou furiosa e por um instante desfez aquele sorriso macabro ao trocá-lo por uma expressão de fúria bestial. O rosto dela se contraiu por completo, ela erguia a mão queimada em decorrência do uso do desfibrilador em Magnólia. Pandora se lançou em direção a Cabral, retomando o sorriso no rosto, ela olhava para Anastácia à medida que esganava com prazer o coitado do idoso que não conseguia se defender.
Anastácia implora a Miguel para que ajude o avô, ele prontamente atende ao pedido sem fazer qualquer tipo de questionamento e chegando ao paciente tenta agir rápido para salvá-lo. Ele avalia e conclui sobre a necessidade de entubá-lo, assim começa todo o procedimento, todavia, antes que consiga terminar a manobra, o senhor Cabral não resiste e morre ali na frente de Anastácia que não segura o pranto de dor. Pandora olhando para Miguel e Anastácia, lentamente, retira as mãos do pescoço do Cabral.
Ela direciona sua atenção a Magnólia. Anastácia avisa a Miguel que Pandora está indo atacar a idosa, ele prontamente, acreditando que algo extraordinário e desconhecido acontece ali, começa a prestar uma intervenção médica incisiva aos sinais de alteração que surgem no quadro clínico de Magnólia. Pandora tenta atacá-lo, porém sem sucesso, por alguma razão ela não consegue agir sobre ele.
Pandora incrédula por não poder afetar a Miguel nem a Anastácia ruge de raiva e abandona repentinamente o local, sumindo sem deixar rastros ou pistas quanto ao seu paradeiro, da mesma forma como apareceu.
Anastácia encara o sofrimento de ter que enterrar o avô, sem deixar de se preocupar com a avó Magnólia que permanece sob os cuidados atentos de Miguel. Os dias passam e Pandora não dá mais sinal de sua presença, Magnólia consegue se recuperar e recebe alta para voltar para casa junto com Anastácia, Magnólia ficou muito desolada com a notícia da morte do marido.
Anastácia voltou à rotina dentro do que é possível, aprendeu a conviver com o fato de existir Pandora, sabe que ela é real, perigosa e o principal que mata. Às vezes ela tem a sensação de notar Pandora no meio de aglomerações. E por mais que tente alertar, muitas pessoas não dão atenção às palavras de perigo sobre a presença daquele ser estranho que veio para usurpar a vida de quem amamos.
E em todas as vezes que se deparam frente a frente, Pandora olha para Anastácia com o mesmo sorriso de maldade e desdém no rosto, ignorando a presença da jovem e a provocando, enquanto busca chamar a atenção das pessoas para que caiam na lábia disseminada para se multiplicar na ignorância do povo com o dizer:
- Mim convide!




                                                                           Airton Memória

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