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Tânia Gabrielli-Pohlmann






SEMEADURA

Avistando um aglomerado de mercadores, um andarilho gritou, decidido:
- Atenção! Fechem o caminho; vou passar!
Surpreso ao sentir um toque em seu ombro, voltou-se e deparou com a razão:
- Por que agiste desta forma? Não sabes que é preciso caminho aberto para seguir adiante?
O andarilho, sentando-se sob gigantesca árvore de multividências, dirigiu-se à razão, num repente:
- Pedi que fechassem o caminho para que minha loucura não fugisse...
A razão, mais confusa que convencida, argumentou sem hesitar:
- Não há coerência no que dizes. Explica-te ou afasta-te de mim!
Cruzando os braços sobre os joelhos, o andarilho insistiu:
- Não desejei que minha loucura partisse, por não querer viver comprometido com tua existência mascarada...
A razão, indignada, protestou sem mais rodeios:
- E por que não desejas comprometer-te com alguém que te poderia trazer a felicidade? Olha a tua figura: é o protótipo do vencido pela loucura!
Sem mais esperar a chegada da noite, o andarilho levantou-se, limpando a terra em que sentara:
- Não sou vencido pela loucura! Apenas divido com ela a minha existência, por nada cobrar-me...

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