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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






A generosidade

                                                   
 
 
Certo dia o jovem Formoso ganhou um belo presente: maioridade.  E com os seus documentos em punho, uma mochila cheia de sonhos e alguns trocados no bolso decide jogar para o alto o que havia construído até então e começar do “zero” numa grande cidade.
 
Na primeira semana na metrópole, Formoso percebeu que marco “zero” para recomeçar não funcionaria. A teoria se diverge da prática. Precisava dividir despesas, apartamentos, sonhos e preocupações com outras pessoas. A  independência é  parcial. Pois os homens precisam uns dos outros. Às vezes não  plantamos o alimento que comemos, não molhamos as rosas que ganhamos, mas colhemos dos frutos  da vida que construímos para nós ou para os outros.
E não foram poucas as pessoas que ajudaram Formoso. Cada uma que cruzou o seu caminho deixou a sua contribuição, a sua marca na história daquele jovem. Cada qual mostrando as diferentes formas de ser generoso com o próximo. Mas uma pessoa se destacou das demais. Por quê? Porque essa preferiu o anonimato, fugir dos abraços e do reconhecimento.
Estava Formoso em um ponto no ônibus. De repente surgiram dois rapazes e apertaram com força o  seu braço, diante de uma multidão indiferente, levaram  todos os seus pertences.  Formoso ficou desnorteado. Distante de casa, sem saber  como retornar  sem dinheiro e sem celular... Até que uma mão feminina bate suavemente em seu ombro e lhe dá dez reais. Desaparecendo apressada no meio da multidão,  ainda ouve:
_ Ei, como fazer para lhe pagar?
Sem parar, como se fugisse de algo, uma voz generosa responde:
_ Faça o mesmo que eu fiz com outro necessitado!  

junho/2014


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