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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






A PROFESSORA E SEU BARQUINHO

      Ah, que saudade daquela minha professora, meio maluquinha. Tinha momento que achava que era fada em outros era a minha bruxinha preferida. Não conseguíamos ficar muito tempo zangados com  ela. Quando a conheci ela não tinha mais que vinte anos e  foi amor à primeira vista. Eu detestava leitura, mas com ela não tinha essa de não gostar porque para não gostar tinha que conhecer, não se gosta do desconhecido, então ela ensinava a gente a mergulhar, penetrar nas leituras depois que estávamos todos envolvidos, já nem sabíamos de que mesmo não gostávamos.
          A minha professora era uma eterna sonhadora, quando se irritava com as agruras da educação , dizia que jamais desistia de seu barquinho de sonhos. Para ela todos nós devemos ter um barquinho. E nós como condutores temos a obrigação de remá-lo na direção que conduz a ética, ao respeito, a satisfação pessoal... Mesmo quando os ventos estiverem desfavoráveis. Às vezes, algum colega para aborrecê-la indagava: “ Se o barco afundar?” A professora sorria e dizia que era impossível afundar um barco de sonhos. Porque os sonhos não morrem e devem ser compartilhados, igual a educação, pois ninguém se educa sozinho, mas na troca mútua. Sonhos são renováveis.
         Era uma festa ouvir falar dos seus sonhos, parece que ela vivia  para a educação. A cada aula era uma novidade. Não sabíamos como ela conseguia ser tão criativa com tantas adversidades do sistema educacional. E como natural, todos pareciam que se espelhavam naquela figura pequenina.  Ao discutirem as profissões que seriam cada qual escolhia a medicina, engenharia, direito, administração... Mas todos almejavam na  profissão  a competência  da minha professorinha... Deixando-a toda orgulhosa por servir de espelho para muitos jovens. Enquanto eu já havia definido a minha jornada, queria ser pedagoga para construir um barquinho de sonhos por uma educação melhor igualzinho ao da  professora.
         Hoje, dia do professor, tantos anos depois em um cruzamento qualquer encontro com a minha professorinha.  Percebo algumas rugas, mas continuava com o sorriso sereno, abraça-me efusivamente. Tocamos afagos e digo-lhe:
         _ Minha professora, consegui construir o meu barquinho...Cada dia ele continua mais  pesado, são tantos sonhos... E a senhora, como está o seu barquinho? Agora com o tempo está mais leve, não?
        _ Não! Abandonei o meu barquinho e...
        _Não pode ser, professora! Seu barquinho dos sonhos não pode ser abandonado! Como fica a educação sem sonhos? A senhora que nos ensinou a sonhar... Não pode! Não pode! Eu posso ajudá-la a recuperar, sonharemos juntas...
        _ Minha querida, meu barquinho está à deriva porque...
        _ Não é possível! Não pode desistir, minha professora... Todos podem jogar a toalha, mas o professor não pode. Se o professor desistir, qual será o futuro da nação?
         E pegando em meus braços com firmeza, minha professorinha, minha mestra, olha-me emocionada, percebi  as lágrimas escorrendo  e falou-me quase sussurrando:
         _ Obrigada, por ter aprendido a lição! Eu também jamais desistir dos meus sonhos, o barquinho ficou à deriva porque transportei-os para um navio...
         
        Abraçamo-nos e choramos pelos nossos sonhos.
         
     

                


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