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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






O SAPINHO DIFERENTE

     Querido leitor,
      Agora vocês irão conhecer a minha história, sou um sapo como milhares de sapos que existem nas lagoas, rios...Pulo, coacho, nado... Mas as pessoas olham para mim e me veem como um sapo diferente. De tanto ouvir que sou diferente, irei contar a minha história, talvez  ela seja mesmo diferente, isso você, só você que é leitor poderá decidir.
     Meu nome é Zik  e a minha parceira é Mola. Estranho, ter uma companheira como esse nome, não? Mas, nem sempre ela teve esse nome,  na verdade o nome dela era Moka. Mas a sua história é tão surpreendente que resolvi chamá-la de Mola. Pelos altos pulos que ela dá para consegui capturar o inseto e dividi-lo comigo... Ei, não pense que sou um sapo explorador de sapinhas, não.  Só você lendo a minha história do inicio ao fim  para realmente entendê-la  e fazer o seu julgamento. Vamos, lá?
     Moro  debaixo da Ponte Severino Vieira, na cidade de Iaçu.  De vez em quando saía do meu local de conforto, margens do Paraguaçu,  para dá uma voltinha com a minha amada,  Moka. Quem conhece sabe que a referida ponte por muitos anos serviu de elo de ligação entre as cidades Iaçu/Itaberaba. E num domingo, estávamos tão felizes comemorando o possível crescimento da família... Ríamos, coaxando... E numa brincadeira, Moka desafiava o meu limite no salto, eu nunca fui habilidoso... Mas,  minha amada dizia:
     _ Zik, você consegue! Salte  no asfalto!
     _ Moka, eu não sou bom em saltar! Que tal voltarmos para o rio?
     _ Não, Zik! Quero vê saltando no asfalto, igual a mim.
     E  não pensei duas vezes.  Sabia o meu limite, eu não tinha condições de ser igual a Moka, que  brincando chamava de Mola... Mas, o desafio foi mais alto que a prudência. Fiz a coisa errada, mas na hora não quis refletir. E usei toda a minha força e...
     _Ploc!
      O salto não foi perfeito. Alguma coisa saiu errado, pois não conseguia mexer as minhas perninhas.  Comecei a chorar, pois seria atropelado pelo primeiro carro que surgisse, pois não conseguia nem mexer, por mais que me esforçasse...
     Moka de um salto já estava do meu lado, toda aflita com o acidente, consolando-me,  incentivando-me. Eu sabia que a coisa era sério.  E logo pedi a minha amada a seguir adiante a vida dela, pois  eu seria um estorvo na vida dela. Mesmo porque, eu não teria nenhuma condições de me cuidar, imagine cuidar de uma parceira e os filhos que viriam...
     Moka não quis nem saber daquela conversa. Ficou do meu lado. Não sei como aquela criaturinha que a primeira vista era frágil, conseguiu  me conduzir nas costas, tirando-me da pista para não ser esmagado pelos carros que fazem o trajeto Iaçu/Itaberaba.
      Colocou-me de volta na nossa casa as margens do Paraguaçu.  E desde então, Moka, que tornou-se Mola,  minha mola, minha vida, porque salta daqui e de lá, com uma agilidade incrível, nem parece que estou sendo conduzido.  Onde vai, carrega-me em suas costas, devido a minha condição, após o acidente tornei-me  portador de necessidade especial. E assim, todos que me veem coladinho nas costas de minha amada grita:
     _ Olhe o  sapinho diferente!
     Na verdade eu não sou diferente, sou ZIK, um sapinho deficiente, diferente mesmo é a minha amada, Mola. .. Em nenhum momento me abandonou, dei a chance dela livrar-se de uma carga extra em suas costas, mas ela não aceitou. E todos os dias ela faz a diferença respeitando os meus limites e me amando do jeito que sou! E você? Poderá também fazer a diferença!
 
 
 
 
 
 


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