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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






TENTÁCULOS DA DITA... DURA

Por mais que se propagam democráticos, cidadãos com direitos e deveres, ainda prevalecem  muitos ranços de uma época em que deveria permanecer lá, no passado.  O tempo inteiro os tentáculos tentam nos agarrar sejam de forma sutil ou escancarada. 
Muitos jovens dizem-se livres, dispostos a enfrentar o mundo para defender ou legislar em causa própria, no entanto em momentos decisivos que precisam de uma tomada de posição, comportam-se como tartarugas e escondem-se em  confortáveis cascos, deixando o perigo passar, só assim botar a cara fora e brandar a sua dor e sabor de ser jovem.
E não falo com base no achismo, mas  numa experiência de educadora que sou, e extremamente observadora das relações humanas, pois lido com gente de diversos costumes, manias, educação, discursos, filosofias, religiões... Jovens que  arrastam uma cadeira para marcar presença e interromper o andamento de determinando evento, mas silencia no momento que deveria questionar, cobrar, criticar, gritar.
Povos que  fingem gritar no silêncio de seus casulos. E quando um desses tentam romper é visto como rebelde. Lembro-me de um adolescente com deficiência auditiva. Por conta dessa deficiência, precisava sentar-se na primeira fila e fazer um esforço supremo para entender o conteúdo passado pelo professor. E numa dessas lutas, o barulho interfere e pede ao professor para repetir determinada palavra. E de prontidão, recebe a crítica:
_ Por acaso você é surdo!? Não viu que já repeti essa palavra!
 
_Sim, tenho problema auditivo. E o senhor por acaso é cego em não ter percebido esse meu aparelho?
O aluno foi acusado de rebelde porque ele simplesmente reproduziu uma fala! Faça o que mando, mas não faça o que faço!
E uma das provas mais contundentes para sustentar esse texto, veio justamente da ação de um outro jovem. Após apresentação de um texto autoral e  abrir o espaço para críticas, sugestões, interrogações, dúvidas...O jovem toma a palavra para questionar: “ Se eu não gostar do seu texto, o que devo falar?” Aparentemente poderia ser uma frase como outra qualquer, mas não é. Um questionamento como esse há uma inquietação implícita: “Eu não gostei, mas serei punido(a) se falar o que penso?” ou mais “ O que queres ouvir?” “Mostre-me como se fala a sua língua!”
Esse jovem traz a angústia de ser prisioneiro de um desses tentáculos de uma ditadura que silenciou tantos e tantas na década de 70, mas em pleno século XXI ela continua ainda enraizada com braços gigantescos. Se pensas que isso ocorre apenas em instituições educacionais é mero engano. Vejo essa “dita” em diferentes espaços. A poucos dias leio um texto, dessa variedade disponível neste espaço, com um título bem interessante, apenas o título, porque na verdade era uma carta aberta protesto direcionada a alguém que havia criticado um texto do autor do protesto em uma outra ocasião... Também fiquei presa por um dos tentáculos, mas não por muito tempo e pensei: Que raio de escritores queremos ser se não permitimos e nem aceitamos a crítica? Se escrevemos para nós mesmos não deveríamos buscar a socialização dos nossos textos... Ou assumimos o narcisismo e só apreciaremos os espelhos ou expomos os nossos textos para as críticas e abrimos os braços para as  contribuições. Eu não quero ser a única leitora dos meus textos. Por isso, eu leio e muito os textos disponíveis, comento quando o sistema tecnológico permite, voto... E eu  convido as pessoas com as quais convivo para a leitura. Aceitar ou não é opção. A minha parte eu faço! 
Não entrarei em “crise” porque fui criticada, gostaria que as críticas viessem acompanhadas de sugestões, elas ajudariam  bem mais a todos nós. Mas, na ausência das contribuições,  as leituras serão bem-vindas, agradeço.
 
Foi justamente essas respostas que dei para o jovem preocupado com a reação do escritor diante do seu posicionamento. Após todas as garantias que não teria nenhuma punição, pelo contrário, as críticas seriam benéficas. O jovem tranquilamente responde apoiado por outros colegas:
_Se eu pudesse me manifestar de forma anônima comentaria alguns textos que já li! Mas. só oculto!

 Fato: Quem dita outros caminhos a serem percorridos, depara-se com uma linha dura de ser rompida; a alienação.
 
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        Obrigada e ótimo final de semana!


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