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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






CORDEL DO BEIJO ROUBADO

Enquanto ele dizia quero um beijinho
Ela respondia: -Agora não!
_Feche os olhos, meu amor!
_Já disse que não dou!
_Nem que seja um selinho...
­_Ah, só pedindo por favor!
 
-Mil favores peço então
E deixe de malvadeza.
Quero saciar a vontade
Degustar essa beleza
Sou persistente, não desisto
De beijar essa lindeza!
 
Beijo é coisa importante
Exige um ritual
Não aceito ser ficante
Nem mesmo de general
Muito menos de um galanteador
Tremendo cara de pau.

Eita que mulher complicada
Difícil de ceder
Fique com essa boquinha fechada
E os olhos para não ver
Nossas línguas enroladas
Juro que não vai doer.

_ Olhe aqui, seu safado!
Comigo não tem nada disso...
Se queres me beijar
Tem que ter compromisso
Cuide das alianças
Sem elas,  nem com feitiço...
 
_Safado? Não sou não
Mas se queres casar comigo
E ficar nessa de beijo na mão
Está me deixando nervoso
E vou partir para outra
E ficarás no barricão!
 
_Que cachorro petulante!
Chamando-me de encalhada
Você nem se garante...
Não te quero, meu amado!
Mas se querias  me beijar
Por que negou-me o beijo roubado?
 

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