Amarilia Teixeira Couto






A paz que eu gosto de ter

A paz que eu gosto de ter


A paz que eu quero ter
não é aquela de um sono refeito
nem tão somente a de uma brisa suave
que vem de manhãzinha me tocar o rosto

A paz que busco pra mim
não se resume à contemplação silenciosa
ou à degustação de uma fruta saborosa
feita assim lentamente depois de um noite de amor

O que vem me ocupando a mente
por um bom tempo
não vai ao encontro dos sonhos eróticos
nem da aquisição de bens materiais
o que reflete o desejo de tanta gente
Não, não e não!

Eu quero uma cachoeira de sossego
a sensação de despojamento
a ausência do lamento
e da ambição desmedida
Quero a paz que faz sorrir por dentro
que transforma a aspereza da voz
em solfejo aveludado
e não somente para quem está ao meu lado
mas para qualquer um que vier me abordar

E tudo aquilo que procuro
tem de vir travestido de humanidade
a veste necessária pra me inserir onde vivo
sem nenhuma pretensão de ser a tal

E se a paz invadir o meu coração
sei que vou ainda ser mais amante
até mais deconsertante
em minha lascívia
pois quem disse que a paz que busco
abre mão do desejo intenso e verdadeiro?

A minha paz segue um outro trajeto
sem a negação da mulher
do querer com poesia
das sensações de todos os sentidos

Só quero entrar em sintonia com o divino
que cada um traz consigo
pois somente assim
conhecedora de mim
não me perderei por caminhos tortuosos
estarei conectada com o o meu coração
e nele hei de encontrar essa Paz
que talvez já o tenha invadido há muito tempo
e que só agora dá os sinais de sua posse





 

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