Amarilia Teixeira Couto






Tuas mãos (lembrando Neruda)

Tuas mãos (lembrando Neruda)

(...)e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo

(...)

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,

(...)
(até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.
( Pablo Neruda )



Tuas mãos

Tuas mãos têm
Um quê de magia
Que me despertam
Na alma a mais linda poesia
Que me transportam à beleza
E à lascívia
dos versos de Neruda

De onde vêm tuas mãos?
De diferentes galáxias
De estrelas cadentes
Viajantes e desejosas
De um pouso na Terra
Percorreram o Cosmos
À procura de um pouso certo
Se aventuraram em muitas superfícies
E planuras
Para contar nas carícias
Que me fazes
Tuas aventuras amorosas
Ah, tuas mãos não são virgens
São atrevidas o suficiente
Na evidência do desejo
São sôfregas quando iniciam
O passeio que tanto almejo
E se tornam ternas
E de uma ternura franciscana
Virando quase uma cantiga de ninar
Ou um rorejar de cachoeira
Entranhada nos grotões de minas
Escondida do olhar estrangeiro

E quando tuas mãos entrelaçam as minhas
Ai, que enlevo! Que deleite!
E se resvalam logo em seguida
Por todo o meu corpo
Todo o meu desamparo se esvai
Toda a saudade curtida no silêncio
Vira ais de puro contentamento

Tuas mãos viajantes
Me contaram um segredo:
Já não querem mais o cosmo inteiro
Querem agora ficar por aqui
Neste ninho de amor
Que preparei pra nós dois
Tuas mãos não buscam mais
Tantas perscrutações
Me disseram que as nossas geografias
São a sua urgência maior

As minhas
Um pouco mais acanhadas que as tuas
Mas não menos envolventes
Já estão contentes à espera das tuas.


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