Amarilia Teixeira Couto






Como quem veio do nada

Ele veio ao meu encontro,
trazendo no peito
toda a saudade contida,
burilada pelo tempo,
escamoteada
por tantas coisas
impostas pela vida.

Mas ele veio.
Quem disse que o amor desaparece?
Quem ousou tirar dele a eternidade?
Não.O amor não se vai,
não se apaga no coração
de quem o sente,
tão somente adormece,
faz de conta que esquece
quem lhe deu plenitude.
Vai vivendo a vida,
vai se entretendo na lida
até que, acabrunhado,
já envolto numa couraça
de tristeza
pede arreglo,
não dá mais pra segurar.

Como quem chega do nada,
bate à porta do sonho
interrompido.
E sem pedir licença,
entra, abraça, beija
e se apossa do que nunca
deixou de ser seu.

A saudade tem dessas coisas
intempestivas e resolutas.
Quando vem como um vendaval,
quando não mais
apenas sopra como brisa,
Faz quem a sente
ir buscar de forma precisa
seu lenimento,
pois só o pensamento
não mais satisfaz.


E quantos amores
foram forjados assim,
no ímpeto da saudade
exacerbada,
que move montanhas,
que assanha o desejo,
que põe os pés na estrada
à procura do que foi adiado.

Alguém pode resistir
aos apelos,
ao chamado do coração?

E sempre que alguém
chega do nada,
vem com a alma cheia
e encontra um coração
ainda mais pleno,
numa grandiosa recepção.

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