Amarilia Teixeira Couto






Aquém do horizonte

Aquém do horizonte
Vem de muito longe
o meu encantamento
pelas montanhas.
Herança de minha mãe
que me legou,
além de boa parte
do que sou,
essa perscrutação silenciosa
em busca do sentido da vida.

Assim passei a amar
as montanhas,
a perceber sua alternância
de cores e tamanhos,
sua sinuosidade
nos caminhos,
seus mistérios
tão guardados.

Sou da terra
das Alterosas,
dos vales circundados
de pedras
pelas mãos dos escravos.
Daí essa mineiridadade
tecida a mãos múltiplas
e polimórficas.

É. Não sou litorânea!
O mar é imenso,
aberto e volúvel,
embora sedutor e belo.
Venho de outra esfera,
do ali que nunca chega,
do comboio que se arrasta,
do trem que não tem pressa.
É dessa ausência de mar,
dessa geografia irregular
que vem meu pensamento,
sabiamente imperfeito.

Ah, essas montanhas,
volteando toda a gente,
como férrea proteção.
Acho que é por isso
essa sede de abraço,
essa vontade de se aninhar
e buscar constantemente
um dedo de prosa.

Sou da terra dos suspiros,
dos ais em tons dolentes,
musicais.
sou das Gerais!

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