Amarilia Teixeira Couto






Transcendência

Transcendência

Gosto de igrejas
silenciosas,
antes da missa
ou depois
que todos se vão,
mas também aprecio
o ritual religioso,
o canto gregoriano,
a música celestial
que preenche o vazio
do meu coração.

Tenho essa mística
tatuada em mim,
gosto dos anjos
barrocos,
até dos santos
do pau oco
que serviram
à devoção
e ao profano,
aliás,
como tudo que é humano,
também aprecio
essa ambivalência.

Essa religiosidade
laica,
que segue a emoção
muito mais que a razão,
encontra guarida em
meu ser.

E o som dos sinos
nas capelas
de presépio,
que enfeitam
os lugarejos distantes,
ecoam entre os montes
e ressoam
nas minhas lembranças.

As rezas,
os cânticos,
as procissões,
os sermões muitas vezes
equivocados,
me levam os pecados
pra bem longe,
e me permitem pecar
outra vez.

Nessa conexão
com o divino,
a cada hino
escutado,
refaço o meu caminho
num resgate necessário
do que deixei olvidado,
em nome de um desejo
de viver
outros saberes.

Agora
a hora da ave-maria
me emociona
mais ainda,
por saber que não
me perdi
nas várias trilhas
percorridas.

Todo o meu relicário
de preces
contém pedidos
de toda ordem
e muitos
agradecimentos também.
E nessa sintonia
com Deus,
tenho de volta a paz
fugidia,
que se vai de mim
de vez em quando,
mas retorna
a cada amém
no fim do dia.

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