Amarilia Teixeira Couto






Fruta madura

Me sinto agora
numa nova era em meu querer.
já não me desfaço em lágrimas
por coisa qualquer.
Já não espero por quem não me quer,
nem faço castelos de areia.

O tempo de desilusão
ficou para trás.
O que é fugaz
não pode ser para sempre,
para além do que se vive agora.

Sou fruta madura,
que não precisa ser colhida,
pois sabe o momento
certo de ser a delícia
de um certo paladar
à espreita.

Sou jabuticaba
doce e saborosa,
que se estala
à primeira mordida
sequiosa de sabor.

Sou manga-rosa temporã,
um convite às mãos e aos olhos
de quem sabe das delícias
atemporais.

Não,
não anseio mais
pelas complicações do sexo.
Antes quero ser entrega,
ser feliz levemente,
conviver com a ausência
sem conflito,
amar sem desespero,
mas com todo esmero
do constante
primeiro encontro.

Quero desfazer-me
do sentido da posse
e assim me apossar de mim,
ser dona do meu nariz
nas questões
do bem viver.

E se sou fruta temporã
me ponho ao seu alcance
sem ,
por um instante,
pretender que se vá de mim.
Sou o que posso
e consigo ser.

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