Amarilia Teixeira Couto






Essas palavras....



Quantas palavras nos chegam aos ouvidos
Ou pelos olhos
ao longo da vida?
De pessoas queridas
Ou ilustres desconhecidas
Que nos chegam mansamente
Como um sussurro
Como uma prece
Devotada ao santo
A nos aliviar as dores
E nos sintonizar com Deus?

Ou nos vêm assim
monossilabicamente
Quase entre dentes
Cortantes como punhais?


Mas elas também se travestem
De lascívia
No murmúrio passional
entre lençóis
Gemidos de prazer
Ah, palavras sensuais!

Ou chegam pelo olhar guloso
Querendo suor e pele
Ou nos olhos saudosos
Buscando somente a carícia leve

Quem disse que não se fala
também com o sorriso
Delineado no rosto
Antevendo o gozo
Do que se tem ainda em pensamento?


Ah, palavras que se ouvem nos sonhos
Que também dizem o que é medonho
E o que apequena a alma
E aprisiona os corações

O que sai da boca
Brotou antes no sentimento
Não existe lamento
Fruto do acaso

Se a palavra corta
Maltrata
E mata

No fundo da alma
O veneno
Se infiltrou
E se apoderou do espírito

O grito necessário
Sufocado
Deixou o coração empedernido


As palavras são grunhidos
Não fazem mais nenhum sentido
A não ser o da destruição


Para que elas sejam leves
Ternas
E eternas
É preciso cuidado

Se mal usadas
Promovem até tragédias
E se bem ditas
Ou bem escritas
Ficam para a posteridade
Causam um bem enorme
À humanidade
ou à emoção de cada um


Que uso você faz das palavras?


 

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