Amarilia Teixeira Couto






Ouvir estrelas (licença poética)

Ouvir estrelas ( licença poética)

“Ora (direis) falar de política!
Certo perdeste o senso!”
E eu vos direi, no entanto,
Que o pranto hoje tão freqüente
Deve-se em parte ao descaso
De quem nunca antes
Se viu do país militante.
E vos direi ainda de forma incessante,
Que para saber do Brasil onde vivo
Eu abro as janelas pálido de espanto
E contemplo o céu, as estrelas,
todo o firmamento,
E penso nesse momento
O quão lindo e grandioso
é esse Brasil de meu Deus.
E como bom seria,
Se toda a periferia
As janelas de sua casa
pudesse abrir
E sorrir pro céu cor de anil,
Ou sentir o sol primaveril
Do mesmo jeito que eu,
Que aqui contemplativo
Me ponho a sonhar com as galáxias
E suspirar poesia.
Ah, se de política
os meus versos se impregnassem!
Por certo me enterneceria mais.
Ao sair de mim e ir atrás do meu semelhante,
De saber que a dor do outro pode ser a minha,
E que sozinho somos fracos,
Mas juntos somos norte
Na arte do bem viver.
E então direis agora:tresloucado amigo,
Por que pensas assim, não faz nenhum sentido!
Poesia nada tem com política,
é outra coisa muito mais sublime!
E eu vos direi: Amai para entendê-la!
Pois só quem ama pode ter desvelo
Por temas que envolvem o mundo inteiro,
Que podem conduzir a vida
para o bem ou para o mal,
Que tem a ver com o atendimento no hospital,
com a comida na mesa de forma tão desigual,
Com a escola que ensina certo
e a que nem saiu do papel,
Com aqueles que recebem carinho e
Com os que vivem ao léu,
Com os que se sentem no inferno
e os que se dizem no céu...

Só quem não ignora a política,
Que faz dela um exercício diário,
que não se permite ser otário
É que pode ser de verdade solidário
E será capaz de ouvir e entender estrelas.


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