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Marilena Orsoni






UM ENCONTRO DE DUAS GERAÇÕES

 

                       UM ENCONTRO DE DUAS  GERAÇÕES

 

 

 

A senhora quer sentar? Perguntou um certo jovem para um senhorinha de setenta anos que acabara de entrar no ônibus.

 

 

- Você está falando comigo?

- Sim. Sente-se aqui.

- Oh! Obrigada, meu jovem. Eu estava justamente esperando alguém levantar para eu sentar. Hoje, estou exausta!

 

A mulher sentou-se e ficou pensativa. Aquele rapaz a surpreendeu. Não estava acostumada ouvir convites daquele tipo, apesar de tomar o mesmo ônibus todas as manhãs, no mesmo horário, não importando se estivesse fazendo chuva ou sol.

 

 

 

 - Qual o seu nome meu filho, perguntou ela com um grande sorriso nos lábios que, naquela manhã, eram adornados com um leve baton rosado.

 

 

 

-Meu nome é Marlon, minha senhora.

 

 

 

- Marlon! Bonito nome.

 

 

- Sabe Marlon, quase todos os dias eu pego este mesmo ônibus, e as vezes tenho na mão somente minha bolsa, outras vezes minha bolsa, um casaco e outros pertences, e tenho notado que os bancos reservados para as pessoas idosas, grávidas, mães com crianças de colo ou deficiente físico, geralmente, estão sempre ocupados por pessoas de idades abaixo dos cinquenta anos. E quando estas pessoas percebem que pessoas, assim como eu, entram e ficam em frente aos bancos que por lei são nossos, fazem de conta que estão dormindo, ou então, fecham suas caras e fixam seus olhos para a paisagem que corre lá fora. E muitas vezes precisamos implorar para desfrutarmos dos nossos direitos. Até brigas acabam acontecendo por esse motivo.

 

Enquanto ela narrava para o jovem o seu dilema  diário, Marlon mostrava-se  indignado com o que ouvia.Então disse:

 

 

-Sabe, minha senhora, eu acho que tudo isso é uma questão de cultura, de berço, de laços de família.  São poucas as crianças, hoje em dia,  que recebem uma educação sadia e correta.  A maioria dos pais não tem tempo para nada, levam uma vida corrida, e sobra pouco tempo para educar seus filhos.

- É verdade, meu jóvem. Mas, é uma pena, porque um dia, eles também vão ficar velhos, assim como eu. E será que terão a mesma sorte que eu tive, hoje, de encontrar um Marlon dentro do ônibus? Acredito que não. As coisas estão  piorando a cada dia.

 

Enquanto durou a conversa entre os dois, o tempo foi passando e aquela senhora desceu em seu destino. Desceu em frente a um hospital público, onde iria submeter-se a mais uma sessão de radiologia.

 

 

 

Mas, aquela senhorinha, antes de descer o último degrau do ônibus, parou, olhou para trás, e disse para o rapáz:

 

 

 

- Ah! Eu estava esquecendo de te dizer uma coisa: Meu nome é Jurema, Marlon.

 

 

 

- Muito prazer em conhecê-la Dona Jurema. Até qualquer dia.

 

 

 

-Até qualquer dia meu jovem. Se Deus quiser!

 


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