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Fernanda Guimarães






Introspectiva

E tão inutilmente desdobra-se a memória
Buscando refúgio no favo dos sonhos
Tingem-se os olhos, inventando cores
Dom de inocência, como se o tempo
Não fosse sempre um aceno
Um descruzar de instantes
Efemeridade do que se presume eternidade

E vem do vento o súbito silêncio
Quando as mãos repletas de vazios
Ensaiam vôos num horizonte imaginário
Como se pudessem ainda colher
O último canto entoado pela vida
Ou a crença que se ampara no trapézio
Em que se lança a súplice esperança

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