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Desencontros do amor

Gabrielle gritava por Vitor, seu filho, segurando firme na mão da filha corria de um lado para o outro, já entrara em desespero, ele sempre fazia isso com ela, se escondia atrás de qualquer coisa e ria ao vê-la procurando por ele. Gabrielle apertou a mão de Juliana e continuou sua busca pelos corredores da loja de artigos infantis, ela olha por meio as araras e vitrines. – Vitor!Apareça agora!Isso já não tem mais graça! – Gabrielle sentia um desespero fora do comum, como se fosse uma premonição, um nó na garganta se formara, mas ela tentava permanecer calma, avistou de longe os cabelos loiros de Vitor, mas ele não estava sozinho, um homem estava agachado conversando com ele, Gabrielle pegou Juliana no colo e praticamente correu até Vitor e o puxou para junto de si. – Pelo amor de Deus Vitor, como pode fazer isso comigo?Eu... – Ela não conseguiu terminar a frase, o homem que estava agachado e que ela ignorara se virou e então ela pode perceber que todos seus pesadelos haviam voltado, moreno, alto, olhos escuros, corpo forte, Fernando continuava do mesmo jeito, a não ser pela barba cerrada que agora emoldurava seu rosto. Ela começou a tremer e saiu da loja arrastando Vitor e Juliana. As lagrimas escorriam pelo seu rosto,Vitor se sentiu profundamente triste. – Mamãe!Está chorando por mim? – Vitor tinha apenas cinco anos, mas sabia que a mãe estava triste. –Eu não queria que você ficasse triste comigo! – Gabrielle tentou conter as lagrimas para acalmar o filho. – Eu não estou chorando por você meu anjo, mamãe só está preocupada.
– Preocupada com o que, Gabrielle? – A voz que vinha de trás dela era a mesma que ela ouvira pela ultima vez cinco anos atrás. Ela disse para si mesma que não demonstraria fraqueza diante dele. – Minha vida não é de sua conta Fernando!
Fernando ergueu as sobrancelhas por um segundo e olhou para as duas crianças, Vitor ele acabara de conhecer, mas a menina ele só via agora, e ela era linda, como a mãe ele teve que admitir, voltou a olhar para Gabrielle. – E a vida deles, é de minha conta?
Gabrielle não esperava que ele percebesse a semelhança, a idade. – Não!Eles são meus e apenas meus!
Fernando se irritou. – Por favor, Gabrielle, acha mesmo que sou idiota?
Gabrielle queria fugir dali. – Sim!Acredito que seja o maior idiota de todos os tempos, agora me deixe em paz, e aos meus filhos também! – Fernando suspirou – Gêmeos?Era o que você sempre quis não era?Deve estar feliz. – A voz dele era cheia de amargura, ele nunca a odiara tanto como naquele momento. Nem mesmo quando descobriu que ela o traira. – Você é muito pior do que eu pensei privar-me de conhecê-los?Você foi cruel demais. – Gabrielle decidiu que era hora de ir. – Você que me deixou não me culpe por isso. – Ela continuou a andar.
Fernando foi atrás dela. – Não adianta fugir, eles são meus também, e eu vou tirá-los de você!
Gabrielle sentiu o pânico tomar conta dela. – Você não pode fazer isso, não tem direito nenhum sobre eles!
 Juliana parou de repente e começou a chorar, seu choro era sentido, profundo e fez com que os dois se calassem e prestassem atenção apenas nela. Gabrielle se abaixou para ficar na altura da filha. – Que foi meu amor? – Juliana começou a soluçar e Fernando se abaixou para falar com ela, tocou em sua face macia e sentiu seu coração se aquecer, acabara de conhecer aquelas crianças e sentia que sua vida só teria sentido com elas ao seu lado. Assim que sentiu o toque de Fernando Juliana parou de chorar,ainda soluçava mas já não chorava mais.
Gabrielle olhou para Fernando. – Acho que não devemos tratar desse assunto na frente das crianças. Por favor!
Fernando sabia que ela tinha razão. – Concordo. Mas não pense que deixarei isso assim. – Vamos conversar em minha casa. – Gabrielle ficou nervosa com as próprias palavras, não o queria dentro do único lugar no qual se sentia segura. Fernando concordou com a cabeça e foi em direção ao seu carro, Gabrielle o chamou. – Não quer saber onde eu moro?
Fernando não entendeu. – Achei que estivesse em nossa casa!
Gabrielle sorriu amargamente. – Em sua casa?Com certeza não. É melhor me seguir.
Fernando começou a imaginar o porquê ela teria se mudado, teria ela se casado novamente?Teria outro homem tomado seu lugar na vida de seus filhos?E na vida dela?E por que ele se importava com isso?Entrou em seu carro e pensou alguns segundos, Gabrielle continuava linda, tão delicada como um anjo, os olhos azuis que ela presenteara os filhos, os cabelos claros e encaracolados, o corpo pequeno e sensual. Fernando levou as mãos a cabeça. – Ela te traiu seu idiota, e você ainda pensa nela?Sente ciúme? – Fernando bateu a mão no volante e olhou para frente, a viu colocando as crianças na cadeirinha, ela podia ser tudo, mas era uma boa mãe, nisso ele não se enganara, sempre soube que ela cuidaria bem de seus filhos. Ele sentiu o nó se formando na garganta, lembrou detalhadamente da ultima vez que a viu, ela estava nos braços de outro, dentro de sua própria casa, a mulher que ela amara mais do que a própria vida, o tinha tirado o chão.
Era fim de tarde, uma chuva fina caia, ele logo sairia do trabalho e voltaria para casa, para o mundo encantado que ele construira com sua esposa, um mundo novo para os dois, descobertas e incertezas. Seu telefone toca e ele ouve uma voz, não reconhece, apenas ouve o recado até o fim, recado que dizia que sua mulher estava com outro naquele momento na casa deles, dizia que ela nunca o amou e nunca fora fiel.
 Fernando saiu do escritório, queria ir para casa e contar para mulher que alguém lhe dissera coisas absurdas, coisas que ele jamais acreditaria. Chegou a casa e viu um carro parado em frente a sua casa, um frio na barriga, não podia ser, entrou em silêncio, ouviu risos, um ele conhecia bem, um coral de anjos cantando, Gabrielle ria, a outra voz era masculina, talvez ele conhecesse, mas estava atordoado, a confusão se alastrara nele, finalmente chegou até o foco das vozes entrou na sala e lá estava Gabrielle envolta em outros braços, ele demorou a reconhecer quem a envolvia, por fim se lembrou já o tinha visto algumas vezes era Vinicius algum conhecido da irmã de Gabrielle, ela comentara sobre ele, mas naquele momento ele não se lembrava de nada, eles se abraçavam com tamanha alegria, uma intimidade que Fernando teve enjôos, queria gritar, bater, descontrolar-se, mas tudo o que fez foi olhar para Gabrielle e jogar a aliança contra ela, que parou de sorrir e o olhou assustada como se ele fosse o culpado, depois disso apenas foi embora, não pegou nenhuma peça de roupa, mudou-se sem nada para outra cidade e simplesmente recomeçou sua vida, com o dinheiro que tinha no banco e as ações de sua empresa fez muito sucesso no ramo automotivo, conseguiu muito dinheiro, gastou com terapias que não deram em nada e com mulheres que faziam apenas ele sentir um vazio ainda maior dentro do peito. E agora naquele exato momento ele se dirigia para casa da mulher que destruira sua vida,e o pior era que ela tinha sobre ele o mesmo efeito avassalador de cinco anos atrás,ele tremia por ela,sentia o mesmo desejo,sonhava em tocar a pele macia mais uma vez.
Gabrielle chorava, descontroladamente, o odiava tanto por te-la deixado, simplesmente foi embora, deixando-a grávida e solitária.
 Eles dirigiram cada um em suas divagações, em sua dor.
Gabrielle parou o carro e tirou Juliana e Vitor, levou os dois para dentro e deixou a porta aberta para Fernando, a porta de sua casa e infelizmente de sua vida.
Levou as crianças para o quarto e deu-lhes um lanche, deixo-os assistindo a um filme e voltou à sala para esperar por Fernando, porem ele já estava ali, em pé diante dos porta-retratos, fotos de seus filhos desde que nasceram, todos os momentos mais importantes. Fernando a olhou indignado. – Como pode?Eu não os vi nascer... – Havia tanta dor em sua voz que Gabrielle por um segundo não o odiou. – Eu nem soube que era pai.
Gabrielle sabia que tomaria a decisão mais difícil de toda sua vida. – Você não é o pai!
Fernando apenas suspirou. – Não pode negar!Eles têm quase cinco anos. E eu sinto que são meus.
Gabrielle não sabia mentir, mas tentaria. – Mas não são, esqueça essa história, volte para sua vida e me deixe em paz.
Fernando sentiu tanta raiva. – Você não presta Gabrielle, traiu-me em minha própria casa, privou-me de conhecer meus filhos e agora quer que eu siga minha vida, fingindo que nunca os conheci?Eu tenho todo o direito de lutar por eles.
– Direito?Você não tem direito nenhum, abandonou a mim, sem sequer se preocupar em saber a verdade, eu tive que me virar para criar meus filhos, e agora vem falar em direito?
– Não faça drama. Eu vi você com outro, não tente parecer a vitima, na nossa poupança havia muito dinheiro para você se manter.
_Acha que eu tocaria na porcaria do seu dinheiro?Você não me conhece, não é?Eu nunca imaginei que pudesse me enganar tanto a seu respeito. Agora por favor,não temos mais nada para conversar,vá embora de minha casa e de minha vida.
_Eles são meus filhos e se não quer resolver isso agora, eu vou ter que levar para os tribunais.
_Já não tirou o bastante de mim?Vai tirar a única coisa que me resta?
_Nos vemos nos tribunais – Fernando saiu e bateu a porta Gabrielle se agachou e chorou, por todos os anos sem ele, pela saudade, pela raiva, pelo medo, e por saber que seu amor por ele jamais acabara.
 
Gabrielle foi até o quarto dos filhos os dois estavam abraçados diante da porta, ela não imaginou que eles pudessem entender algo a respeito. – Vitor, Juliana, porque estão assim?
– Mãe, ele é o papai? – Juliana a olhava com lagrimas nos olhos. Gabrielle não sabia o que responder, claro que eles reconheceriam o pai, ela o mostrara o álbum de casamento. Vitor a olhava já sem nenhuma duvida.Gabrielle os abraçou e chorou ao lado dos filhos,teria ela errado?Seus filhos foram privados de conhecer o pai, ela tentava se convencer de que não teria como achá-lo, mas sabia que conseguiria se não fosse seu orgulho ferido, a imagem dele jogando a aliança sobre sua face, ela o odiou por cinco anos, o odiou mais do que pensou ser possível, e o amou, durante esses cinco anos. Mas para ela nada era maior do que o amor que sentia por seus filhos e se tivesse que lutar contra ele na justiça o faria, porem se ela tivesse que concordar com a presença dele para felicidade de seus filhos ela também o faria.
Fernando saiu da casa de Gabrielle furioso, como ela ousava negar que Juliana e Vitor eram seus filhos?E porque ela saíra da casa que era deles, muito mais confortável do que a que ela morava agora. Fernando sentia tanta raiva,por alguns momentos enquanto a olhava chegou a sentir pena dela,ela tinha um aspecto cansado,não sorria mais com os olhos do jeito que fazia para ele.Ele não podia se importar,arrumaria os melhores advogados e tiraria seus filhos dela.
 
Um mês depois aconteceria a audiência pela custodia das crianças.
Fernando entrara com dois advogados, sentou-se em silêncio, depois de algum tempo se virou para o advogado mais velho. – Dr.Verner acha que tenho chance? – Francisco Verner o olhou com paciência, se não fosse seu advogado e sim um amigo lhe diria para esquecer tudo e voltar para mulher que ele amava, mas não chegara ao topo, dando conselhos sentimentais. – Nós conversamos sobre isso, é difícil, mas se está disposto a alegar conduta imoral, podemos conseguir sim.
George, o outro advogado, mais jovem e mais audacioso o olhou com firmeza. – Claro que vamos conseguir. Ela não tem moral nenhuma para cuidar  dos seus filhos. – Fernando segurou o impulso de jogar-se contra ele e faze-lo retirar cada palavra dita contra ela, então depois se lembrou de que a mulher que ele conhecia, a mulher que ele amava já não existia mais. Verner silenciou George com o olhar, ele entendia muito da vida e tinha sua própria opinião a respeito de Gabrielle, mas era astuto demais para falar algo.
Gabrielle demorou um pouco mais para chegar, deixou os filhos com Vanessa e entrou com seu advogado, não olhou para Fernando,apenas se sentou e baixou os olhos já cheios de lagrimas,pediu a Deus em silencio para que a ajudasse. O juiz entrou todos ficaram em pé, Gabrielle não se sentia bem, achava que iria desmaiar a qualquer momento.
Depois das devidas apresentações foi a vez de George fazer seu espetáculo. Ajeitou a gravata e  começou a falar olhando para o juiz. – Meritíssimo. Este homem. —Apontou drasticamente para Fernando. – Teve sua vida desestruturada, foi traído e teve que se recuperar longe dessa cidade, conseguiu se reerguer, mas não foi fácil, depois de cinco anos. Cinco anos. Ele voltou e descobriu que era pai,pai de gêmeos.Ele foi privado de conhecer os próprios filhos,ele só quer o que lhe é de direito, ter os filhos junto a si.
O juiz ergueu as sobrancelhas e chamou Fernando para ser interrogado.
Suzana Silveira era uma mulher direta, se aproximou sem rodeios. – Sr.Fernando, porque quer a guarda de seus filhos?
Fernando a olhou nos olhos. – Exatamente por eles serem meus filhos!Preciso deles perto de mim.
Suzana não se convenceu. – O senhor sentiu raiva de Gabrielle?
– Ela me traiu, é claro que senti raiva dela.
– Sabe que a magoaria tirando dela os filhos correto?
– Ela privou-me de conhecê-los, não me importo de magoá-la para tê-los comigo.
– Não seria essa uma forma de castigá-la?
–Claro que não,são meus filhos e eu os quero perto de mim.
– Mas não os conheceu há alguns dias apenas, não é?
– A senhora tem filhos?
– Isso não é pertinente!
– Se tiver vai saber o que eu senti ao ver um pedaço de mim ali em minha frente, eu só quero tê-los por perto, não é nenhum absurdo.
– Não acha que eles estão sendo bem cuidados?
– Eu não sei, apenas sei que eu poderia dar a eles tudo!
– E Gabrielle?Os filhos sentiriam sua falta não acha?
Fernando não respondeu, nem sabia o que queria de verdade. A promotora permitiu que ele se retirasse encerrou.
O juiz suspirou e chamou o advogado de Gabrielle, que sem muita pompa se dirigiu ao juiz e olhou para Gabrielle. – Meritíssimo!Gabrielle foi mãe e pai dessas crianças,quando foi abandonada pelo marido tinha apenas vinte anos de idade,ficou sem nada e mesmo assim conseguiu educar Juliana e Vitor,suprindo todas as necessidades básicas deles.O pedido de guarda de Fernando é um absurdo.
Foi a vez de Gabrielle ser interrogada. – Gabrielle, você era feliz com seu marido?
Fernanda quase não agüentou, as mãos pequenas suavam sobre a saia florida. – O que isso tem a ver?
– Responda, por favor!
– Sim!
– O amava?
– Mas é claro!Ele era meu marido!
– Ele a acusa de tê-lo traído, você confirma?
– Não, eu nunca o traí seria um absurdo, se ele confiasse em mim, teria visto isso.
– Ele afirma ter visto você com outro, dentro da casa que era de vocês.
– Ele me viu abraçada com Vinicius apenas isso! – Gabrielle estava chorando. – Ele só precisava me perguntar, ele estragou tudo por não confiar em mim.
– Porque nunca o procurou?Porque nunca falou dos filhos?
– Quer mesmo saber? – Gabrielle sorriu tristemente. – Naquele dia eu havia acabado de descobrir que estava grávida, não tínhamos nem mesmo seis meses de casamento e eu descobri que estava grávida, fiquei nas nuvens, tinha preparado um jantar especial para contar a ele a novidade, era nosso sonho, o meu pelo menos. – Gabrielle suspirou. – Me lembro de ter feito macarronada a bolonhesa e frango xadrez, eu nem tinha terminado o jantar quando Vinicius chegou,eu estava tão feliz que não me contive,contei a ele e nos abraçamos, eu queria contar a alguém, gritar, mostrar como estava feliz, foi então que Fernando entrou,eu sorri para ele,mas ele não sorriu para mim,ficou me olhando quase que com nojo e atirou a aliança sobre mim,acertara minha face,ele se foi,assim,simplesmente sumiu de minha vida. – Gabrielle chorava. – é mulher, sabe por que eu não pude o procurar.
Houve silêncio por algum tempo, a promotora encerrou e Gabrielle saiu.
O advogado de Gabrielle se levantou. – Meritíssimo, minha cliente foi acusada de traição, eu gostaria de chamar uma testemunha para esclarecer essa dúvida.
Então entra Vinicius, se senta no banco e olha para Gabrielle. O advogado se aproxima e faz a pergunta para Fernando. – Este foi o homem que vira com Gabrielle?
Fernando mal consegue responder, tem lagrimas nos olhos. – Sim!
O advogado se aproxima de Vinicius. – Vinicius você teve ou tem algum envolvimento amoroso ou sexual com Gabrielle?
– Claro que não.
– Responda-me, é casado?
– Sim!Com Vanessa, irmã de Gabrielle.
– E era casado com ela na data do ocorrido?
– Não!
– E o que fazia na casa de Gabrielle?
– Eu queria pedir Vanessa em casamento, Gabrielle era a unia pessoa da família de Vanessa, eu fui pedir um conselho.
 
Fernando não agüentou se levantou e olhou para Verner. – Acabe com isso!
– Do que está falando? – Verner entendia muito bem o que ele queria.
– Eu sou um idiota, eu estraguei tudo, acabe com esse circo.
– Tudo bem!Agora calma.
George se levantou. – Tudo bem nada, Fernando deixe comigo, não podemos acabar desse jeito.
Fernando olhou para Verner. – Cuida disso pra mim, eu preciso sair daqui. – Fernando saiu, não podia ficar no mesmo lugar que Gabrielle, não depois de perceber que fora um idiota, que a fizera sofrer tanto por não acreditar nela.
 
A audiência foi suspensa, Gabrielle não sabia se estava aliviada,vira como Fernando saiu,viu lagrimas em seus olhos, o desespero estampado no rosto, por algum momento sentiu medo, medo de que ele fizesse uma besteira. Mesmo tendo o odiado durante tanto tempo, pensar nisso a desesperou, ela correu até Francisco Verner . – O que houve com ele?Para onde ele foi?
Verner a olhou calmamente. – Ele percebeu o erro que cometeu.
– Ele faria alguma besteira?
– Não sei lhe dizer.
 
 
Fernando estava desesperado, dirigiu até o lugar onde ele deixara tudo, seus sonhos, sua vida, seu coração. Foi até a casa que um dia dividiu com Gabrielle, parou em frente a ela, estava acabada por fora, grama crescida, paredes emboloradas. Ele pulou o pequeno muro e entrou parou em frente a porta pela qual saíra cinco anos antes,estava trancada mas não importava ele sabia que ela não era forte o suficiente,quebrou um vidro com uma pedra enfiou a mão pelo buraco e conseguiu abrir a porta,tudo estava igual,do mesmo jeito  que ele se lembrava,olhou para cozinha,ela cozinhara para ele,foi para cozinha e viu um embrulho sobre a mesa,na verdade era um envelope feito de papel de presente,ele foi até a sala e se sentou no sofá,abriu com cuidado.
Teste de gravidez. Positivo.
Ele chorou.
Durante todos aqueles anos não derramara uma lágrima,mas ali vendo tudo o que perdeu,começou a ouvir a voz doce de Gabrielle o chamando para almoçar, e ouvia risinhos de crianças pela sala, tudo o que ele jogou fora. Cruzou as mãos sobre a cabeça e deixou todas as lagrimas caírem.
Gabrielle entrou pela porta, olhou Fernando e sentiu-se aliviada, ele estava bem. Fernando ergueu os olhos e a fitou. – Gabrielle!
–Fernando...
–Como me achou aqui?
–Intuição, eu acho.
–Porque deixamos isso acontecer conosco? – Fernando caminhou pela sala olhando para as fotografias dos dois que se espalhavam pelas paredes. – Nós éramos tão felizes.
–Você não confiou em mim, em meus sentimentos. – Gabrielle não queria cobrar nada dele, queria fazer o que era certo, pelo menos para seus filhos. – Mas não foi pra isso que estou aqui.
Fernando parou de andar e a olhou nos olhos, teve esperanças dela dizer que ainda o amava que o perdoava e que eles seriam uma família. Mas não era isso que ela tinha em mente. – Eu não te perdoei Fernando, e nem acho que um dia vou conseguir, mas percebi que fui egoísta ao não te procurar, meus filhos tinham o direito de conhecerem o pai, sei que eles sentem a sua falta.
–Está dizendo que poderei ficar conviver com meus filhos?
–Sim!Quero que eles saibam quem você é. Faremos como todos os pais separados.
–Legalmente, ainda não estamos separados.
–Porque nunca entrou com o processo?Fiquei esperando receber os papéis a qualquer momento.
–Não sei, não queria nenhum contato com o passado, nem mesmo ter que entrar com um processo.
–Acho que agora poderemos resolver tudo isso.
Fernando não respondeu nada, já a perdera uma vez não deixaria que isso acontecesse novamente, iria reconquistar sua mulher.
Gabrielle saiu seu coração ainda estava descompassado, estar tão próxima a ele trazia de volta todos seus sentimentos antes enterrados.
Gabrielle voltou para casa, estava morrendo de saudade dos filhos e pronta para ter uma conversa séria com eles, já estavam grandes e entenderiam o que estava acontecendo.
Vanessa e Vinicius esperavam ansiosos por Gabrielle.
– Ela está demorando amor!– perguntou Vanessa para Vinicius. – Ela não comentou nada?
Vinicius olhou para as crianças que desenhavam na sala. – Não!Depois que a audiência acabou ela saiu correndo, falou com o advogado de Fernando e sumiu. Acho que ela foi atrás dele.
Vanessa revirou os olhos. – Minha irmã está ficando louca, ir atrás daquele cafajeste depois de tudo.
Vinicius não queria defender Fernando, mas tinha que dar sua opinião. – Eu sei que o que ele fez foi terrível, mas se visse como ele ficou,sabe,acho que todos esses anos também não foram fáceis para ele.
–Por favor, Vini, sem companheirismo masculino, minha irmã sofreu pra caramba. – Vanessa se irritou e se levantou. Vinicius foi atrás dela. – Gata!Não estou o defendendo, eu só acho que ele realmente gosta de sua irmã.
Eles ouviram barulho no portão e pararam de conversar, Gabrielle chegou e os filhos correram para abraçá-la. – Mamãe!Mamãe! – Vitor a abraçou e a beijou, Juliana pediu colo como sempre e lhe deu um beijo no rosto. – Mamãe eu estava com saudade.
Gabrielle sorriu. – Eu também meus amores, estava morrendo de saudades de meus filhotinhos queridos.
Vitor estava preocupado. – Onde estava?
Gabrielle olhos para os dois e os levou para sala. – Eu estava com o pai de vocês.
Juliana não entendia direito. – Onde ele está?Porque ele não fica com a gente?
–A gente não vai mais ver ele? – perguntou Vitor.
Gabrielle respirou fundo e olhou para Vanessa e Vinicius que chegaram mais perto e se sentaram no outro sofá.
–Vocês o verão sim, ele quer ficar perto de vocês, quer conhecer vocês. Se quiserem, é claro.
Vitor não estava ainda convencido. – Porque ele não aqui agora?
Gabrielle não sabia exatamente o que fazer o que falar para os filhos. – Eu queria conversar com vocês antes,queria saber se vocês querem que ele venha.
Juliana resolveu expressar sua opinião, olhou para Vitor sem ter certeza de que o irmão aprovaria, mas ela tinha medo de não falar e tudo dar errado. – Eu quero que ele venha eu sonhei com ele, eu fico com saudade, sempre fiquei pensando porque eu não tinha um pai, mas eu tenho e quero que ele venha me ver. – Juliana começou a chorar, mesmo tentando limpa-las para que ninguém visse. Gabrielle a abraçou e segurou as próprias lagrimas, ela fizera os filhos sofrerem.
Vitor abaixou os olhos era o homenzinho da casa, cuidava das duas, e não queria parecer fraco, mas a irmã tinha tido coragem ele também teria. – Eu também quero que ele venha eu gostei dele quando vi na loja, ele foi legal comigo, e é legal ter pai.
Vanessa e Vinicius se entreolharam, ninguém poderia imaginar que eles pudessem sentir falta de um pai.
 
Gabrielle levou as crianças para o banho e preparou o jantar para eles, depois deixou que assistissem televisão no quarto para poder conversar com Vanessa e Vinicius. – Olha só o que eu fiz!Meus filhos sofrendo por falta do pai e eu nem percebi.
Vanessa a olhou intensamente. – Você não tem culpa de nada, Gabi, ele te abandonou.
Vinicius coçou a cabeça e olhou para Gabrielle esperando sua resposta. – Eu sei disso Vanessa, mas eu sabia de toda verdade, poderia ter ido atrás dele e dito, mesmo que não o perdoasse, sobre minha gravidez ele tinha o direito de saber. – Vanessa olhou para Vinicius. – Amor!Diga alguma coisa! – Vinicius ergueu os ombros. – Não quero me meter, vou pro quarto ver meus sobrinhos.
Vanessa o fuzilou com o olhar, mas ele foi mesmo assim deixando-as sozinhas.
–O que é tudo isso?Foi só vê-lo e já o perdoou?
Gabrielle abaixou os olhos e cruzou as mãos sobre as pernas. – Eu não o perdoei Vanessa, mas também não o esqueci ele continua lindo, com aquele olhar intenso, os braços fortes, sabe, me faz querer ser abraçada por ele, eu me sinto do mesmo jeito que me senti da primeira vez que o vi.
Vanessa levou as mãos à cabeça. – Vai acabar o perdoando, vai deixá-lo voltar para sua vida.
–Talvez ele nem queira isso, acredito que ele tenha outra pessoa, todos esses anos...
–Droga Gabi, está com ciúme?
–Imagina-lo com outra é estranho. Ele ainda é meu...marido!
–Não, não e não!Ele não é seu marido!
–Eu senti como se fosse, hoje, na casa que foi minha e dele, no nosso ninho, eu senti como se fosse. – Gabrielle deixou as lagrimas caírem. – Eu me arrependi... Por um breve segundo eu me arrependi.
Vanessa não acreditava no que estava ouvindo. – Como assim?Eu não posso acreditar que esteja querendo ele de volta!
Gabrielle pediu compreensão com os olhos. – Acha que eu gosto de sentir isso?Eu descobri que sou apaixonada pelo homem que me fez sofrer durante anos. Mas eu o quero, eu vi como ele ama meus filhos, ele ainda é o homem que eu conheci.
Vanessa apenas revirou os olhos.
 
Fernando continuava na casa que fora dele e de Gabrielle, andava por cada cômodo, revirava armários em busca do passado. Ele se sentou na cama que fora deles e começou a olhar as fotografias antigas. – Eu te perdi minha querida, e nem sei se tenho chances de te reconquistar. – Fernando se deitou de costas e fechou os olhos, se lembrando do dia em que conheceu Gabrielle, ela era tão ingênua e insegura, demorou muito tempo para conseguir conquista-la, ela não confiava nele, não confiava em ninguém, sempre com aqueles olhos arregalados, o que o fazia tentar protege-la de tudo, e quando ela mais precisava dele, ele a decepcionou.
 
Gabrielle preparara um almoço especial naquele sábado, chamou Fernando, e eles almoçariam como uma família, seus filhos estavam ansiosos, ficavam perguntando por ele de cinco e cinco minutos. – Ele já vem!Se aquietem um pouco.
Fernando parou em frente a casa dela,exitou em entrar,tinha medo de que os filhos não o aceitasse,ele era um estranho para eles,mas conquistaria o amor de seus filhos.Ele comprara um presente para cada um,mesmo não tendo certeza de que gostariam mas passou horas na loja de brinquedos olhando para cada um e tentando adivinhar do que os filhos mais gostariam.
Eles ouviram um barulho na porta, e os três olharam apreensivos, Fernando entrou e Vitor foi o primeiro a se aproximar, e sem nenhum receio o abraçou, Fernando colocou os presentes no sofá, o pegou no colo e o apertou. – Como vai meu filho?Está tudo bem com você?
–Tudo bem! – Vitor disse, e Fernando o colocou no chão, e se aproximou de Juliana. – Como vai princesinha? – Ele a abraçou, ela arregalou os olhos do mesmo jeito que a mãe fazia. – Tudo bem. – E o abraçou também.
Fernando se levantou. – Eu trouxe presentes, espero que gostem. – Olhou para Gabrielle esperando que ela não o repreendesse por tal atitude,ela apenas sorriu educadamente e ele entregou os presentes esperando ansioso que eles abrissem,esperava não decepciona-los.
Juliana abriu com delicadeza o embrulho e viu diante dela a boneca mais linda que imaginara, tinha quase o seu tamanho, os cabelos loiros pareciam de verdade e ela tinha um cheiro muito gostoso. – Pergunte o nome dela. – Fernando falou. E a menina se aproximou  da boneca. – Qual é o seu nome? – A boneca respondeu. – Beatriz, quer ser minha amiguinha? – Juliana sorriu e abraçou a boneca, depois correu para Fernando e o abraçou. – Obrigada!
Vitor rasgou o papel com rapidez, sorriu ao ver o brilho metálico do robô que girava a cabeça em direção a sua voz. andava sozinho e atirava dardos de borracha. – Nossa é muito legal. – Vitor olhou para Fernando agradecido e recebeu um cafuné.
Fernando sorriu ao perceber que eles gostaram dos presentes, se aproximou de Gabrielle e beijou-lhe a face. – Como está?
Gabrielle tentava se recuperar da momentânea falta de ar causada pelo toque dele. – Eu estou bem!As crianças estavam ansiosas.
Fernando sorriu. – Eles são tão lindos, inteligentes. Nunca imaginei poder sentir isso,é tão diferente de tudo que conheci.
Gabrielle suspirou. – Me perdoe!Eu fui egoísta separando vocês!Deixei meu orgulho falar mais alto e fiz todos sofrerem, fui uma péssima mãe!
Fernando a olhou indignado, levou a mão até seu queixo e a fez olhar para ele. – Nunca mais diga uma idiotice dessas, você é a melhor mãe do mundo, a culpa disso tudo foi minha, eu estraguei nossa família. Mas vamos te-la de volta!Eu prometo.
Fernando queria tomá-la em seus braços e beija-la, queria dizer que a amava que sempre a amou, mas não poderia, ela não o aceitaria naquele momento.
Gabrielle viu o olhar dele, olhar de desejo, seu coração disparou, como queria senti-lo, queria o ouvir dizendo que a amava,teve vontade de tocá-lo, mas não faria isso, talvez ele estivesse com outra pessoa, talvez ele amasse essa outra pessoa.
Gabrielle se afastou e foi terminar o jantar Fernando ficou na sala brincando com os filhos, eles tinham a intimidade de pai e filhos, como se, conhecessem-se há anos. Gabrielle parou em frente a pia, mas não sabia ao certo o que fazer, ficou parada olhando para o nada enquanto ouvia as vozes dos filhos conversando com o pai, ela começou a chorar, ela queria aquilo todos os dias, não queria ser apenas a mãe dos filhos dele, queria ser sua esposa de verdade, queria poder se aconchegar nos braços dele. – Droga! – Ela sussurrou. – Seja razoável Gabrielle!
Depois de meia hora Gabrielle os chamou para jantarem, eles se sentaram e comeram em silêncio,hora ou outra eles perguntavam alguma coisa para Fernando que respondia com toda calma.Fernando notou os olhos de Gabrielle tristes,queria faze-la sorrir,mas não sabia como.Depois do jantar os quatro comeram a sobremesa na sala e assistiram a um filme do Shrek,Juliana e Vitor dormiram antes do filme terminar,eles colocaram as crianças na cama e voltaram para sala.
Fernando olhou para Gabrielle tentando ler seus pensamentos. – Obrigado pela noite maravilhosa. Foi o dia mais feliz da minha vida.
Gabrielle sorriu. – É seu direito!São seus filhos também!
Fernando se aproximou. – O que está havendo com você?Porque está tão triste?
Gabrielle deixou algumas lagrimas caírem. – Era para ser tudo perfeito. Nossa família seria tão feliz se tudo tivesse dado certo.
Fernando a abraçou. – Vamos fazê-la perfeita então minha querida.
Gabrielle sorriu tristemente. – As coisas já não podem ser como antes, eles sempre serão filhos de pais separados, você mora em outra cidade, quando estiverem com saudades terão que ligar para você!Não era isso que eu sonhei para nós!
–Não precisa ser assim!Nós ainda somos casados!Podemos ser uma família de verdade.
–Um papel não significa nada! – Gabrielle o afastou de si.
–Eu não estou falando de papel!Estou falando de mim!Ainda sou casado com você!Só preciso saber se ainda é minha esposa.
–Nunca deixei de ser.
Fernando enroscou as mãos em seus cabelos macios e a puxou para si, a beijou com intensidade, Gabrielle o abraçou.
–Eu amo você Fernando!
–Eu amo você, Gabrielle. Minha Gabrielle.
 
Um ano depois, Fernando está na sala brincando com Juliana e Vitor, Gabrielle se aproxima silenciosamente, ele notara que ela estava diferente nos últimos dias, inquieta, ele se levanta, lhe beija a testa e depois a boca. – O que há com você meu amor?
Gabrielle lhe entrega um envelope, ele não entende, mas abre.
Teste de gravidez. Positivo.
Eles choram, abraçados.
As crianças sorriem ao verem os pais girarem pela sala.
 


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