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Vicência Jaguaribe






Na palma da minha mão


Na palma da minha mão,
Cabe, irmão, a felicidade e a alegria
Que, com ousadia, não pedem para entrar.
 
Na palma da minha mão,
Cabe, irmão, a esperança verde e lustrosa
Que, nervosa, pede licença para falar.
 
Na palma da minha mão,
Também cabe, irmão, aquele amor
Que, ditador, um dia me deixou aflito.
 
Na palma da minha mão,
Cabem, irmão, as estrelas do céu e as do mar
Que vão se multiplicar pelo tempo infinito.
 
Na palma da minha mão só não cabem,
Irmão, a dor da perda e a angústia da solidão.
 
Como esconder essa dor e essa angústia,
Que com furor por entre os dedos escapam?
No solo se infiltram?
Por baixo da porta vasam?
As paredes escalam?
O ar contaminam?
Os rios e os oceanos emporcalham?
 
- Sinto muito,
Mas não há como escondê-las.
Só resta incinerá-las
E as cinzas, ao vento lançá-las.
 
 
 

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