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Vicência Jaguaribe






A Pátria entra em campo


é a pátria em calções e chuteiras,
a dar rútilas botinadas,
em todas as direções.
                                 (Nélson Rodrigus)
 
 
A Pátria entra em campo.
Não, não falo metonimicamente.
De repente, a entidade abstrata
Se concretiza em verde e amarelo,
Calça chuteiras e cria asas nos pés.
E atira-se de corpo e alma
Numa disputa que é
Graça e desaire
Leveza e rigidez
Sutileza e imposição
Delicadeza e determinação,
Gentileza e agressividade,
Tudo a um só tempo.
A bola é lançada e desfechada,
Bólide inflamado, aparado e conservado
Levado em movimentos precisos.
Cobiçado, tomado e roubado
Para mais uma vez ser recuperado
Em um balé de pernas e pés.
Mais uma vez é desfechado
Mais uma vez é interceptado
Por uma cabeça que, saindo do nada,
Interrompe o bailado de pés e de pernas.
E da cabeça para outra cabeça,
Que o devolve, bailarino, a um pé ágil,
Que o projeta em direção a uma meta,
Facilmente explodida, incendiada e desmoralizada.
É a pátria de uniforme verde-amarelo
Que deslancha e diz a que veio.
E no grito de gol recompõe-se
Empertiga-se, recupera o orgulho ferido
E redime-se das faltas, dos pecados,
Da negligência e da corrupção.
E nasce de novo. De novo em berço esplêndido,
Como heroína. No eterno retorno necessário
Para que o povo continue a caminhada
E não pense em desistir na primeira esquina.
 

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