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Cleiton Malheiro de Oliveira






O Sofá(primeira parte)

Então pensei que era assim mesmo que tudo iria ocorrer. De repente percebi que eu não era bem aquilo que pensei que fosse. E nem me havia dado conta que estava ali parado no meio da solidão. Um lugar não incomum, a sensação era de que já havia estado ali. Na verdade acho que todos já estivemos neste lugar. Um misto de vazio com algo me falta. Não sei bem explicar, mas é isso que você se lembrou. Você com certeza já esteve lá. Não sei em qual momento, mas já passou por esse caminho estranho, que faz parte da caminhada. Aquele dia em que chegou em casa e tudo parecia não ter sentido.Nada estava bom. Mesmo tendo pessoas em volta era como se não estivessem.

Um não sei o quê apertando o coração, lhe fazendo lembrar-se de coisas do passado, e, enquanto caminhava em meio aos pensamentos, lágrimas corriam pela face. Um amigo que gostaria que estivesse ali, ou até mesmo um amor. Talvez melhor fosse estar só mesmo. Ou quando aquela pessoa simplesmente foi-se...

É estranha a solidão. Às vezes no silêncio do meu ser, preciso dela para me conhecer ou fazer-me conhecido. Sei lá. São pensamentos meus que vieram e achei bom escrevê-los. Não sei se farão sentido para você e nem sei se quero que lhes façam.  

Continuo a sentir que alguma coisa está fora do lugar. Como aquele sofá, que há muito tempo estava no canto da sala e alguém simplesmente veio e mudou-o. Você chegou e notou que algo estava diferente, mas ainda não havia percebido o quê? Então, assim estou. Alguém poderia aparecer, ligar, me perguntar como estou ou apenas me abraçar, isso bastaria para me sentir aconchegado, e dizer que foi apenas o sofá que mudaram de lugar, nada demais.

Contudo ainda não descobri quem mudou o sofá do lugar, por qual motivo e nem ao menos o que é o sofá, nessa metáfora que estou discorrendo. Estranho não é? Por que um sofá? Será que é por ele ser um objeto que simboliza conforto, família, amigos, pessoas conversando...?

Estranho ele aparecer assim do nada em minha mente. E eu continuar aqui a desenrolar esse texto sobe o sofá agora. Até rio meio sem graça de mim mesmo.

Quem tirou meu sofá do lugar? A indagação perpetua-se em mim.


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