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Betimartins [ Elisabete Ribeiro ]






Um conto de dois agricultores vizinhos

Um conto - Os dois agricultores vizinhos

Vou contar sobre dois agricultores que na minha infância eu conheci, tendo até convivido com eles e aprendi algo com eles sobre a essência da vida.

Na minha aldeia, viviam duas famílias de agricultores vizinhas mas muito distintas, uma das famílias eram os Ferreira, gente muito humilde que trabalhava de sol a sol, outra das famílias era os Pereiras, gente que herdou muito dos seus familiares e que tinham gente a seu serviço, eram vaidosos e prepotentes, sempre com comparações e se valorizando pela sua quinta.

Como era traquinas e muito inquieta sempre ia visitar aquelas famílias, vendo lá muita coisa que se passava sempre brincava com os filhos dos agricultores e via como eram totalmente diferentes uns dos outros. A quinta dos Ferreira era grande mas pobre e sem muitos meios de máquinas pois o dinheiro era escasso para tudo isso, a dos Pereira tinha equipamento dos melhores e era a vaidade da aldeia

.

Era altura de tratar de lavrar, adubar e semear a terra, era uma altura de muito trabalho, onde os Ferreira levantavam ainda nem clareava o dia e comiam o seu pequeno-almoço ainda magro, pegando as fainas para ir para o campo. Tinham vacas e cavalos que ainda ajudavam a lavrar os campos mas os trabalhos braçais eram muitos para poder ter a terra pronta a tempo para a sua sementeira.

A família Pereira não tinha esses problemas, gente que contratavam fazia isso por eles e além dos seus tractores que tornavam tudo bem mais fácil, tudo estava ali pronto e era uma vaidade perante os vizinhos sempre vaidosos de sua quinta e tinham motivos, estava bem tratada e bonita.

Ora as quintas não era só adubar e semear, tinham os animais e até tinham as grandes fruteiras e vinhas para podar, tratar e para que dessem as melhores frutas e vinhos. Tinha pena do senhor Ferreira não parava de sol a sol, contratando jornaleiros mas coitados já eram velhinhos e o salário era muito magro pois não podia pagar mais. Ora era um mimo olhar para as duas quintas e ver tudo viçoso e bem tratado, era lindo ver tudo aquilo.

Todas as pessoas da aldeia e arredores gostavam de ir a quinta do senhor Ferreira pois diziam que eram melhores os produtos lá, por vezes ficava horas a pensar nisso e porque falariam isso. Estavam na época da colheita e era uma algazarra total para que tudo estivesse pronto. As frutas eram da melhor qualidade os produtos plantados que colhiam na terra eram de melhor qualidade e todo o povo falava que não existia melhor agricultor que aquele homem.

Ficando a pensar nos motivos, descobri que o Senhor Pereira, tinha vaidade mas não amor pela terra era só um bem herdado do qual queria mostrar a todos. No entanto o senhor Ferreira não, este fazendo sol ou chuva trabalhando exaustivamente e sempre agradecendo por ter a terra que tanto sacrifício a comprou, ele dava valor a cada coisa que ela lhe oferecia e sempre a tratava bem.

Colava em cada dia de trabalho o seu suor e conhecimento pela terra, sabia quando ir chover, fazer sol, quando era o momento certo pelas luas para semear dos animais e dos montes ele tratava do estrume para adubar a sua terra. Nas suas árvores de fruto ele sempre tinha um tempo para ver como elas estavam e tratava delas sem produtos.

Ora sendo assim eu aprendi algo com tudo isto, que não basta ter as coisas e dar seguimento, temos que saber dar o real valor a elas e sentir delas o maior respeito e amor.

Por isso aprendi que nem o dinheiro compra tudo e como diz um amigo “És aquilo que fazes e não aquilo que desejas ter.”

Betimartins


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