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Marilena Orsoni






UMA VOZ QUE SE CALOU PRA SEMPRE

Pai. Você se foi. Eu fiquei sem o meu melhor amigo e meu meu melhor conselheiro. E a sua voz, não posso ouvir mais. O senhor não imagina a falta que sinto das nossas conversas. Das nossas brigas. Das nossas diferenças. E como eu gostava de ouvir as músicas sertanejas que o senhor cantava -com seu vozeirão- eu até arriscava fazer a segunda voz, mas o senhor sabia o quanto eu mais atrapalhava do que somava na canção. E o senhor e não dizia nada, simplesmente, curtia, com muita alegria, aquele momento só nosso. Era muito engraçado. Nós ríamos um bocado, lembra? Ah, se eu pudesse voltar o tempo, para ouvir mais uma vez o senhor chamar de pelo meu nome! Como eu ficaria feliz. Lembra, pai, quantas vezes o senhor tentou me ensinar como era a vida? O senhor costumava dizer que, era muito perigoso olhar o mundo somente com íris da cor do mar, porque nem tudo era azul., e também, nem tudo era cor-de-rosa. Quanto o senhor lutou tentando me fazer enxergar que, nem todas as pessoas eram boas,e muitas delas, eram como Camaleão: camufladas da verdade. E, apesar de eu saber que o sol sempre vai nascer a cada manhã, o senhor me fez ver que, ele vai continuar brilhando e iluminando o caminho das pessoas boas. E das ruins. Me fez acreditar que o sol sempre iluminará os dias dos meus filhos, dos meus netos,e assim por diante. Mesmo quando eu não existir mais. Como aconteceu com o senhor. Porque a vida continua. Sabe, pai, nós nos amávamos,mas a gente sempre discutiu muito, era engraçado. Eu lembro que chegou uma época que,eu não entendia o senhor e o senhor não me entendia. Éramos de geração diferente e o mundo estava passando por sérias transformações e muitas delas de comportamento, atitudes, de conquistas...Tudo estava acontecendo muito rápido, e sei que isso chocava o senhor e a minha mãe.O ciúmes que o senhor tinha de mim, naquela época, me perdoa, eu não entendia, ele me irritava. Eu não conseguia ver as coisas da maneira que o senhor via. Com a sua ótica. Eu via um mundo cheio de oportunidades e eu queria acompanhar esse tempo me dedicando aos estudos. E o senhor sempre me dizia que cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, lembra? E hoje, quando lembro, vejo que tudo aquilo era amor.Era cuidado de um pai zeloso que só queria o bem da sua filha. Mas, dentro deste texto, quero deixar minha saudade. E o quanto sinto sua falta. Se pudesse voltar ao tempo de criança, ao tempo da minha mocidade, e novamente poder olhar dentro dos seus olhos, eu diria o quanto certo, o senhor estava. A vida tem me provado isso. Fim

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