Nina Petrino






Ainda que seja por pouco

Desperto-me quando o sol ainda se esconde
busco seu rosto e encontro a noite
Não há olhares frustados que me condenem
sual alma partiu, não sei para onde

Escuto um consolo em forma de canto
ao menos uma canção escrita sem pranto
Meus velhos olhos já tão cansados
repousam num mar de abandono

Vou perdido dizendo o contrário
do que padece esse coração solitário
E sem que aceite a grande verdade
engano-me na crença de que não está acabado

Eu vi quando a ilusão abandonou o cenário
e guardei as juras eternas em um relicário
Apontavam a mim pelo fim tão frustrado
enquanto eu fazia o papel de anjo malvado

E hoje quando me encontro com meu reflexo
busco sinais de você pelo meu corpo
Recordo o alvoroço do nosso sexo
e sinto-me renascer ainda que seja por pouco.

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