Jeanne B.S.Tzadkiel






Minha rota

 

 

Na minha rota, traçada há anos

eu já tinha em mente passar por aqui

eu já via de longe essa paisagem, esse semi-círculo e esse teu olhar: cruel e

enigmático.

 

Podia se quisesse mudar de rota

passar bem longe, num mar mais calmo,

num mar sereno, num mar de rosas.

Podia se quisesse cortar caminho, chegar mais cedo, ganhar mais tempo, tempo pra mim.

Mas o que eu faria com esse tempo a mais e só pra mim?

 

Faria, talvéz, um jardim

faria, quem sabe, um amigo

 faria, possivelmente, uma descoberta

 nada afinal que eu já não tenha te visto fazer.

 

Ficaria imaginando o teu grau e crueldade

e lamentando não ter o teu énigma para decifrar

não ter o teu porto para aportar

não ter o teu medo para me ocupar

não ver o teu farol iluminar

não ter em quem jogar as minhas culpas.

 

 Seria só eu com a tal da calma que eu tanto busco.

Seria tanta calma que me aborreceria.

E aborrecida eu perderia a calma

precipitaria-me em uma rota louca

navegaria num mar de precipícios

até recuperar o meu tesouro que tu escondes.

 

 

 

 

 

 

 

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