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Tânia Gabrielli-Pohlmann






Outono

Um mago à paisana caminhava pela alameda coberta de folhas, reverenciando o crepúsculo que tingia mais uma tarde de outono...
Sorria intimamente por reconhecer nas folhas caídas fetos que regressavam ao útero da terra, para renascerem flores na próxima primavera.
Assim refletia e resolveu sentar-se à beira de um lago sereno, quando vê aproximar-se um homem jovem, porém visivelmente abatido. Parecia conhecer aquele rosto... Buscou na memória até identificá-lo; tratava-se de um seu aprendiz de tempos não muitos distantes.
O jovem, ao reconhecer seu mestre, permitiu-se um sorriso e, sentando-se ao seu lado, contou-lhe dos êxitos e fracassos vividos desde o último dia em que estiveram juntos. A certa altura de sua dissertação, não conteve uma lágrima e calou-se, amargurado, esperando ouvir algo de seu mestre.
- Tua aura me indica uma certa desesperança em teu coração. Onde está teu ânimo de outrora? Por que esta lágrima de tão profunda tristeza?
- Sabes que, em toda a minha vida, nada consegui aprender ou construir senão através de sacrifícios e lutas...
- Exatamente por sabê-lo não compreendo o motivo de tua aflição. Aprendeste a educar tua mente, desenvolveste teus dons e conheceste os mistérios da natureza humana; ajudaste muitas criaturas que de ti precisaram, distribuíste teus melhores sentimentos e ensinaste a milhares a magia do Universo. Penso que tens motivos diversos para sentires teu coração em paz...
- Assim estaria meu coração, se em meu caminho não existissem pessoas que tudo destróem por invejarem o que realizo e por desconhecerem o árduo percurso da construção... Não possuo bens além dos indispensáveis à sobrevivência, e parte de meus recursos são utilizados em benefício de outrem. Não compreendo a razão de tal inveja!!!
- A razão está no fato de tanto realizares apesar dos poucos recursos materiais de que dispões. Tua bondade é teu maior tesouro...
O jovem pareceu surpreso com as palavras do mago, porém não convencido:
- Se minha bondade é a responsável pela força que possuo, por que não torna-me imune à inveja alheia?
- Tua bondade é tua força. Não te tornaste imune à inveja alheia, porque ainda te orgulhas da inveja que causas...
A noite chegou, solene, revelando a lua que convidava à reflexão maior.

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