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Maristela Zamoner






Fico indignada quando dizem que no Brasil não se faz Ciência

O Brasil é um país estranho, também no que diz respeito à pesquisa científica. Há quem arrisque dizer que neste país não existe pesquisa. Mas, quem é dotado de algum otimismo, diria que a pesquisa no Brasil não é valorizada. Essa história começa na graduação? Talvez bem antes.

Na maioria dos cursos superiores é exigida a produção de uma monografia. É quando o educando toma contato com o grandioso processo de produção científica. Passa a ter um orientador, o sabedor dos caminhos da ciência (método), que "inicia" o aluno neste meio.

Bons orientadores ensinam seus orientandos a fazer ciência. Os demais ensinam seus alunos a terminar o trabalho de conclusão do curso. Estes últimos são especialistas em ABNT, ou qualquer outro conjunto de normas criadas para "formatar" o trabalho. Geralmente, são bons conhecedores da bibliografia. Tão bons que mostram ao aluno que ele deve trabalhar de acordo com a literatura. Idéias ainda não descritas são inadequadas, fogem do que a literatura preconiza, portanto devem ser evitadas.

Os bons orientadores têm a abertura da mente no limite exato para que o cérebro não pule fora. Entendem que fazer ciência é produzir conhecimento novo e não apenas repetir com outras palavras, ou novas combinações os conhecimentos já consagrados. Geralmente, não detêm a maior parte de suas instruções voltadas às normas, embora façam questão delas. Não são apenas bons conhecedores da bibliografia, são críticos dela. Para eles, idéias não descritas são exatamente as que interessam. Estes orientadores têm a rara competência de conseguir usar a literatura existente para fundamentar a necessidade da inexistente. São exímios em utilizar cada espaço do método científico, respeitando-o de todas as formas, sem esquecer que o foco é fazer a ciência e não simplesmente reproduzir. Isto prepara o terreno para que se faça ciência, o que vai muito além de apenas repetir a Ciência. Os bons alunos que tem idéias arrojadas e enfrentam o sistema todo, geralmente buscam este orientador raro, que está disposto a “bancar” uma novidade. Também é notável que boa parte destes orientadores com seus alunos não têm penetrabilidade nos guetos fortes estabelecidos pelos outros. Muitos deles ficam restritos a orientações de monografias, sem oportunidade de orientar dissertações ou teses. Estas últimas, freqüentemente exclusivas para quem comanda os guetos, quase sempre garantindo que o xerox da ciência não deixe espaço para que se faça, efetivamente, Ciência.

Neste contexto, as iniciativas que valorizam a proliferação dos conhecimentos produzidos por quem faz realmente Ciência surgem tímidas. Quase como num sacerdócio, buscam o sonho de disponibilizar todas as idéias. Este é o foco do Projeto Fazendo Ciência, da Editora Protexto, que pretende selecionar monografias inovadoras e relevantes para publicação científica. Boa parte deste sistema de produção científica aparece, quando se observam iniciativas de pôr o conhecimento a público. Vejo com muito entusiasmo o "Projeto Fazendo Ciência", porque permitirá que a tímida história da produção científica no Brasil comece a desenhar um outro rumo. O objetivo é democratizar os resultados pela disponibilização das monografias em forma de um livro a custos muito reduzidos para o autor. Este é um caminho em direção à valorização do precioso conhecimento científico brasileiro, encontrado nas monografias de conclusão de graduação e especialização.

30/03/2007

Maristela Zamoner – mestre em Ciências Biológicas (UFPR), especialista em educação (IBPEX), licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), bióloga atuante na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, docente em cursos de graduação e pós-graduação, - autora de 6 livros, (Ruptura: um desafio a ser vencido por educadores e governo; Hora Atividade: oportunizando uma nova educação; A leitura é transversal; Dança de salão: a caminho da licenciatura; Biologia Ambiental; Como realizar apresentações bem sucedidas) e de diversos trabalhos científicos nas áreas de biologia, educação e dança de salão.

IMPORTANTE: A editora Protexto está com inscrições abertas para seleção de monografias nas áreas de:


Ciências Humanas: Direito, Pedagogia, Filosofia, Sociologia, Psicologia, História, Educação, Arte.



Ciências exatas: Matemática, Engenharia, Cálculo, Mecânica, Eletrônica, Eletrotécnica, Análise de Sistemas, Ciência da Computação.



Ciências da Terra: Agronomia, Ciências Florestais, Agroecologia, Agrotécnica, Geologia, Geografia, Geoprocessamento, Sensoriamento Remoto, Solos.



Ciências Biológicas: Biologia, Enfermagem, Medicina, Terapia Ocupacional, Educação Física, Fisioterapia, Fisiologia, Meio Ambiente, Ciências Ambientais, Zoologia, Entomologia, Ecologia, Anatomia, Fisiologia, Cinesiologia, Citologia, Embriologia, Genética.








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