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Maygon André Molinari






A virada

Com muito cansaço, me fui à cama. Nela iniciei memórias, memórias do dia passado. À tarde choveu forte, aproveitei para tirar o pó das prateleiras e averiguar o mundo imóvel dos livros. Enquanto limpava, ouvi canções brasileiras – a faxina assim foi bem (ou veio bem, e aqui está, deitada comigo em forma de sono). Apressar não adiantava, pois as fotos me freavam – para sangrar a chuva em mim. Que também era forte.
Ampliando o dia no cérebro, tentei avaliar algum diálogo, mas lembrei-me que não houve nenhum. Ou melhor (pois a mente mente): tocou o telefone e, como ele estava próximo, de pronto atendi. Antes que eu dissesse alô, a outra voz disse: “Nossa, como você estava perto, Letícia.” ‘Er, não é da casa da Letícia.’ “Desculpe, foi engano.” ‘Não tem problema.’ Ah, mas eu poderia ter dito: ‘Não é mas pode me contar qualquer coisa, preciso de uma voz alheia em mim. Perca sessenta segundos comigo, e então, por apenas vinte e três horas e cinqüenta e nove minutos, ficarei só...’ Mas, é claro que nessa hora era com Letícia que a voz falava. Finda esta memória, adormeci.
Acordei, depois, com um foguetório. No rádio-relógio: 00:02. Lembrei-me, então, que era réveillon. Esperei passar o barulho, virei para o outro canto e dormi.

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