Andre Luis Suaide






Um degrau de cada vez


E mais um degrau era criado.
A menininha tinha esse hábito. Todo dia de manhã!
Subia todos os degraus já feitos
e colocava mais um no final.
E assim, mais um degrau era criado.

No começo, passava pouco tempo
em cima do último degrau.
A vista era chata, monótona, igual.
Mas com o tempo, a paisagem vista lá de cima ficara mais atrativa.
Perdia minutos, horas lá em cima,
no degrau que fora criado.

Passaram-se alguns meses
e a menininha continuava fiel.
Passaram-se alguns anos.
A menininha virou menina, mas estava muito longe ainda de ser mulher.
Não tinha experiência suficiente para ser.
Via o mundo, mas do lado de fora.

Um certo dia, a menina, percebeu que a vista ficara monótona novamente.
E, nesse dia, ela estava muito cansada para descer todos os degraus.
Repousou no último degrau e sonhou em fazer parte de tudo que tinha visto até ali.
No final do dia, ela acordou,
abriu suas asas, e levantou vôo.
O último degrau se tornara, finalmente,
o final da escada.

28 de setembro de 2005

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