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Andre Luis Suaide






Pimpolha


E o medo de pular da cama?
E o medo de pisar no chão?
Cruzar o quarto foi um drama,
mas sair dele era a melhor solução.
Correu pelo corredor
aparentemente abandonado.
Adentrou o quarto ao seu fim.
Sua solução estava lá, deitado.
Num ato de desespero, pulou em mim.
'Vô, vô', soluçava num disparo.
'Eu vi, eu vi', continuou a dizer.
'O bicho papão tá lá no armário´
'Tá sim, tá sim, vai lá ver'.
'Minha pimpolha, não há o que temer.
Você devia estar sonhando, se acalme.
É isso que dá ver tanta Tv
Agora pense comigo, depois "fala-me"'.
'Linda, por que ele viveria
em tal lugar apertado
e não iria em sua cama deitar, o bicho papão?'
'Vô, lá é escuro, da claridade é afastado.
Ele não gosta de luz, prefere a escuridão'.
'Querida, você achou
a resposta do seu problema.
Acenda a luz que acaba tudo por ser resolvido'.
'Mas vô, e se ele resolver esse dilema,
cobrindo-se com minhas roupas de um jeito esquisito?'
'Netinha, e o urso de pelúcia enorme

que te dei de presente?
Você não disse que ele te protegeria dessa ameaça?'
'Sim, vô. Mas você não sabe o que houve recentemente.
O urso agora, por suborno, virou a casaca'.
'Ai! Netinha, como és complexa,
Pegue, então, o anel da proteção que eu te dei'
E minha neta olhou-me perprexa:
'Vô, não sou mais criança, aquele anel foi você quem fez'.
E como uma advogada,
lutou contra todos meus atos.
Por fim, perdi nos argumentos,
para 7 anos de menina.
Peguei-a no colo e fomos ao seu quarto.
Deitei-a na cama e disse,
já entrando no clima:
'Irei ao armário, espantarei tal bicho papão.
E ele não voltará a te perturbar outra vez.
E fique tranqüila, definitiva será essa solução.
Ele se arrependerá do mal que te fez.
Enchi o peito, fiz cara de herói, e ao armário lá fui eu.
Devagar abri a porta e tive uma surpresa estranha
Lá estava o bicho papão, e ao me ver, disse e tremeu:
'Tio... me ajude... tem uma menina deitada na cama...'


31 de março de 2006

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