Luiz C. Lessa Alves






VINGANÇA

 VINGANÇA
 
         De repente um estampido. Júpiter se assusta, e o homem cai. O cavalo retorna. Observa seu amigo inerte no chão, ensanguentado. Esfrega o focinho no rosto do patrão. Tenta reanimá-lo; empurrando-o para os lados. Percebe que é inútil; está desmaiado. Júpiter se culpa, achando que foi sua arrancada que o fez se desequilibrar, e pensa: “O que eu fiz?... E agora o que faço?” Rincha e relincha, ninguém aparece. Olha em volta, não ver nada, senão, em cima, pedaços de céu, em volta, muitos quilômetros de mata. Sopra de novo no rosto do patrão desacordado, depois se decide e sai em disparada. Em poucos minutos chega à fazenda e relincha bem alto. Um peão aparece, e em vê-lo arreado e sozinho, se assusta. Chama o patrão, que chega acompanhado. Um monta e segue, guiado por Júpiter, outro vai atrás com o fazendeiro no carro. Uma légua adiante, encontram Vivaldo, ainda respirando, mas, em péssimo estado. Põem o rapaz no carro e o levam ligeiro para o hospital. Infelizmente, os médicos nada puderam fazer, e nem a bala retiraram.
       Passaram-se dias, semanas, meses... E o autor da tocaia jamais foi encontrado.
“Seu delegado, queira me desculpar,” disse seu Manoel sério, convicto e calmo “, pela morte de meu filho, Vivaldo, muitas vidas hão de ser sacrificadas.”.
A partir de então, começou o cangaço.

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