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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






MARIA BONITA

Quando a vi não imaginava que seria amor à primeira vista. Olhar vago, introspectiva  e extremamente valente. Que mulher guerreira!  Ela era , era... era... uma espécie rara. Dessas mulheres que não se encontram na esquina falando da vida dos outros nem na loja de 1,99. Era mulher, mas Mulher com um “m” bem grande. Para mim, uma rainha,  porém por ser nordestina e pobre, cada um “não nordestino” se acha no direito de julgá-la de forma depreciativa, mesmo sem nunca tê-la visto, convivido ou  conhecido. Magoada e arisca ninguém conseguiu aproximar dela mais que eu.

Decidi que ela seria minha afilhada, protegida, mais tarde meu amor. Foi a melhor decisão tomada na minha vida. Porque depois dela tudo mudou. Nunca pensei em ninguém, não dava satisfação dos meus atos a ninguém.  E com ela não foi diferente, ela tentou resistir, mas não adiantou.  Caiu no meu laço, lutou bravamente . E desde então fui percebendo a grande mulher que tive ao meu lado. O meu coração durão não amoleceu com ela, mas aprendeu a ouvi-la, respeitá-la pela sua valentia.  Acredito que do meu modo duro de ser, aprendi também a amá-la.

Depois de tantos anos juntos, guerras e perseguições implacáveis enfrentadas, a minha valentia era renovada  e acalmada após uma boa noite nos braços da minha Maria.  Bonita!? Acho que chamá-la  de bonita é pouco, pois o “bonita” diminui a beleza interior...  As minhas feiuras  interna e externa acabaram fortalecendo a sua beleza interior... Mas é assim que vou chamá-la.

Ah, Maria Bonita que competência! Só você conseguiu ascender aquele velho lampião do cangaço...

 


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