Fabrício Behine






Fluxo de consciência; Escrita automática; Inconsciente pessoal e coletivo

     Escrevendo sobre o assunto, reflito e lembro-me de grandes inspirações artísticas como Virginia Woolf, incompreendida-insana-sã; e Jack Kerouak, o vagabundo iluminado eterno. Tento sempre compreendê-los de forma diversa para ser capaz de descobrir o cerne, a fonte de cada interação deles como artistas maiores, em cujas mentes inconscientes deviam travar lutas enormes em vastas montanhas de culturas próprias e tão-somente observadas pelos característicos olhos de gente cuja arte é tão intensa e vividamente renovadora que não nos deixa muita margem para basear conjecturas dúbias...
     Refletindo, no entanto, busco em suas biografias o certo parecer sem apequenar-me com minhas próprias bases de raciocínios-quase-sempre-sofridos. James Joyce, Marcel Proust... Vêm-me à lembrança, descompençada pelo tempo que os li pela primeira vez, como autores de cuja técnica também estava incluso, tanto o Fluxo de Consciência quanto à Escrita Automática. Por certo; eles corrigiam muito dos escritos, contudo quanto mais o artista está conectado com seu inconsciente mais pode usá-lo como acervo bibliotecário-universal para deixar-se levar por si mesmo dentro da corrente de ideias e engendramentos resultando sempre-quase num bom trabalho. Ou num trabalho extraordinariamente relevante para a Humanidade, tal qual todos esses Mestres...
     O acervo de que falo se encaixa na teoria do inconsciente pessoal e seu território, e, como sempre gostei demais de Jung, -- mesmo sendo tão mal estudado! -- digo que o inconsciente coletivo está palarelamente de escolha ou conecção da psique de todos os grandesseres das expressões em arte. Deste modo vejo claro como se transformam em pessoas bem diferentes -- ou excêntricas, ou doentes, ou alienadas em tudo, enfim! -- , uma vez que, quando se está fazendo irromper no portal da inextricável mente repleta de surpresas obscuras, para engendrar algo de realmento novo sofre-se demasiado. Tal como Caio Fernado Abreu escrevinhou: -- Há de se pagar o pato!
    A fluência de qualquer forma de expressão artística depende quase completamente de uma boa saúde emocional... melhor ainda se física também... porquanto o desgaste é forte, e às vezes destruidor-não-nada-saudável. E  quando se faz algo muito estreito com o inconsciente se cerece cuidado.
    Em vista disso, toda pessoa cujo trabalho é criação-expressiva-própria necessita antes encontrar modos de canalização e restauramento de energias mentais e físicas... Ficando em bom estado após lançar-se no abismo do qual muitos não retornam em perfeito pensar para contar como foi...
    Enfim, 
    Clarice Lispector, Lúcio Cardoso incompreendidos...
    Razinzice louca-Schopenhauer...
    Voltaire no fim....
    Nieszche, nem se fala...
    Tolstói e o fim numa busca por simplicidade e paz., terminando numa estação de trem...
    Dostoiévisk sempre jogando compulsoriamente... e epiléptico...
     Scott Fitzgerald, Hemingway, faulkner... alcoolismo...
     ... ai... chega! Já deu para entender.

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