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Elisabeth Silva de Almeida Amorim






CORAÇÃO CIGANO

Nem  bem  terminara de nascer, Tamara já havia sido prometida. Tamara se casará com o filho de meu grande amigo Alfredo_ dissera logo seu pai, um grande líder daquela comunidade que não aceitava ser contrariado. A criança cresce  comprometida. Como Tamara   não foi consultada, fingia não saber. Estudava e estudava sem parar.
Aos doze anos de idade  estava na hora de selar o compromisso. Tamara  é chamada para conhecer o  seu futuro esposo. A adolescente olha para o homem de aproximadamente 40 anos a sua frente. Olha para o pai e para aquele desconhecido. Nada diz. Mas ouve uma voz de comando: Pode abraçar o seu noivo!
A adolescente não dá por rogada, e diz: _ Senhor, cadê  o seu filho?
_Filho?
_Ué, o senhor não está pensando  que irei...
É interrompida pelo pai:
_Tamara, já dei a minha palavra quando você nasceu. E você é minha filha não irá fazer com que eu passe uma vergonha dessa. Você irá se casar com Alfredo Júnior porque eu quero! Mulher  aqui não tem voz ativa, e você sabe disso!
Tamara tranquilamente responde ao pai:
_ Meu pai,  posso ter sangue cigano, mas coração também. O senhor tem apenas uma vida, dela  deverá fazer o uso que quiser, porque a minha vida seguirá em outra direção.  Então não me casarei ... e vergonha seria entregar a sua filha menor de idade  a  um senhor  desconhecido... nas leis do nosso Brasil  isso é pedofilia...
E  Tamara foi expulsa daquela comunidade por ser uma jovem  inteligente que estudou mais do que  devia.  Em outros espaços seus estudos muito ajudaram a refletir sobre o papel da mulher cigana.
 


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