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Maciel Brognoli






O super-herói Brasileiro

Robin reuniu todos os super-heróis do mundo numa festa para agregar fundos visando o conserto do batmóvel que estava quebrado por ter estourado a biela do virabrequim. O homem morcego estava vivendo um mau momento financeiro e precisava de todo apoio possível, principalmente daqueles que nasceram para salvar o mundo dos homens ímpios e injustos de caráter duvidoso. Como esses semideuses abnegados fazem parte de uma sociedade secreta filantrópica, Menino Prodígio, parceiro de Batman, comovido com a situação de seu companheiro, resolveu tomar essa louvável atitude. Combinado foi que cada herói traria consigo certa quantia em dinheiro e depositaria numa urna no centro do salão de festas. Ao final da confraternização, abririam o recipiente e a grana seria entregue ao homem morcego.
Do México, veio o Chapolin Colorado; da terra de Tio San, Zorro, Super Man, Capitão América, Aquaman; da Inglaterra, o Homem Aranha; de Cuba, Fidel Castro (Fidel é herói?); da África do Sul, Nelson Mandela. Robin havia confeccionado uma lista de heróis dos 5 continentes, sendo que todos os grandes super-heróis aceitaram ajudar o ‘morcegão’.
       A festa estava rolando, os heróis requebravam o corpo ao som de Village People, quando de repente houve uma queda repentina de luz. Obviamente que não ficaram assustados, já que se tratava de uma festa de homenzarrões. Quando a luz voltou, aí sim o espanto foi grande. Alguém havia furtado o dinheiro depositado na urna. Mas quem dentre figuras tão ilustres e destemidas teve a audácia de cometer tal desventura?
– Robin. Leia a lista de convidados. Quero ver quem se enquadra como suspeito.
– Esse é do Japão, esse da Indonésia…
Batman interrompe a leitura da lista.
– Menino prodígio, quem é aquele homem pachola e de bigodinho?
– É o super-herói que representa o Brasil.
– Mas o que ele fez por seu país para merecer o título de super-herói?
– Ora, ele é senador da república.
– Pelas barbas do profeta! Como um senador da república pode ser considerado um super-herói?
– Esse homem está há 40 anos ocupando o poder político através do voto popular. O povo brasileiro o elegeu super-herói.
– É verdade. O poder emana do povo. Mesmo assim, ele é o meu principal suspeito. Traga meu tablet que quero levantar a ficha desse sujeito.
– Aqui está!
– Por mil morcegos! A ficha dele é mais suja que pau de galinheiro.
– Chame o super-homem. Preciso que use seus super poderes.
– Pois não, Batman!
– Super-homem, use sua visão raio-x para ver se tem alguma coisa escondida nas algibeiras daquele homem.
– Vejamos, vejamos. Hum! Santa Gertrudes, Batman! O maldito larápio tem pouca carne morta, muito dinheiro dentro da cueca. E é a ‘bufunfa’ que nós arrecadamos para o conserto do Batmóvel!
         A notícia logo se espalhou entre os notáveis e Aquaman, apontando o dedo para o vigarista, esbravejou: – Pega o ladrão! Mesmo octogenário empreendeu fuga o pseudo-herói, precipitando-se à rua onde estava estacionada sua limusine. Os super amigos correram atrás do gatuno para tentar recuperar a grana furtada. Somente ficou parado no salão de festas o representante mexicano, Chapolin Colorado.
Entre trejeitos, ele dizia: – Suspeitei desde o princípio!

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