Rodrigo Adania






Rodolfo, o vampiro

Rodolfo estava inquieto. Sua reputação dependia mais do que nunca de suas atitudes naquele momento. As pessoas não o respeitavam mais. Maldito filme Crepúsculo, o tornara uma piada, as pessoas não tinham mais medo dele. Não se assustavam mais com suas aparições nos becos escuros à luz do luar. Algumas pessoas até o confundiam:

- Olha mãe, o Batman!

Algumas meninas quando percebiam o que ele realmente era diziam com desdém:

- O Edward é mais bonito… Sei lá, esse aí… Não me convence.

Aí Rodolfo desistia, tamanho desgosto que se abatia sobre ele. Maldito Edward. Bons tempos aqueles em que as pessoas gritavam assustadas, horrorizadas e ao mesmo tempo fascinadas pela visão daqueles dentes brancos e pontiagudos, e antes mesmo que percebessem o que estava acontecendo, seus corpos caiam ao chão sem vida.

Mas hoje ele seria respeitado novamente. Estava decidido. Havia ensaiado sua aparição várias vezes. O bote perfeito. Até comprara um sobretudo novo nas Lojas Pernambucanas, em promoção. Ah, os shoppings 24 horas, que época maravilhosa de se viver. Comprara também uma sombra para escurecer os olhos, assim ficaria com um ar mais sombrio. Rodolfo era assim mesmo, meio teatral.

Era quase meia noite e a lua cheia tornava a noite mais clara e, no entanto, mais sombria, digna de um bom filme de terror. O cenário estava perfeito. Alguns poucos morcegos davam rasantes por sobre a cabeça de uma senhora dos seus sessenta anos. Uma coruja piava ao fundo e pra completar a cena, uma nuvem encobria parcialmente a lua tornando o momento perfeito.

Rodolfo esperou sua vítima se aproximar um pouco mais e como um gato saltou de uma árvore e flutuando pousou na frente da pobre senhora que no susto deu um berro ensurdecedor. É, o sobretudo causara um belo efeito. Agora sim ele era respeitado. Que som maravilhoso aquele. Um grito que há muito não ouvia. Isso sim é um vampiro de verdade, não aquela família esquisita do filme! Seus antepassados agora sentiriam orgulho dele. Edward… Que Edward que nada. Ele sim, o senhor das trevas sedento de sangue e prestes a saciar sua sede. Seus olhos vermelhos miravam os da vítima e como se estivesse em transe começou a caminhar na direção de seu alimento, e por isso, não percebeu quando ela enfiou a mão em sua bolsa e pegou um pequeno objeto.

Se recompondo do susto, a velhinha encara o vampiro e com os braços estendidos e apontados para seu rosto dá o tiro certeiro. Uma borrifada de spray de pimenta inunda os olhos de Rodolfo.

A mulher sai correndo e gritando:

- Socorro, ladrão, ladrão!

Rodolfo, ajoelhado no chão, com os olhos ardentes e lacrimejantes levanta os braços como se quisesse agarrar a senhora:

- Vampiro, dona, vampiro… Senhor das trevas…

Com o rosto apimentado, Rodolfo amaldiçoava Edward Cullen.

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