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Margarete Ribeiro Salomão






Livre Arbítrio

                              Livre Arbítrio
 
         Quando estivermos sozinhos em nossos lares, se uma falha na rede nos deixar sem energia elétrica, a ausência de possibilidade de distração nos fará entrar em desespero. Afinal, sem luz para leitura, sem televisão e sem computador, teremos que ficar a sós conosco no agora. Tememos a nossa presença, porque ainda não podemos perceber a plenitude contida no nada sutil que somos verdadeiramente.
        A essência sutil e imaterial que nos anima tem realidade própria e independe do tempo.   Possuímos um corpo material, mas aquilo que possuímos não é aquilo que somos. Nosso corpo é perecível, com uma existência apenas relativa ao tempo e, portanto, não tendo realidade própria. Não nos sentimos sendo a materialidade do nosso corpo. Quando tentamos perceber o nosso interior, não percebemos nossos rins, nosso pâncreas, nosso baço, nossas glândulas suprarrenais, nossa tireoide, nossa hipófise. Podemos perceber com clareza que o nada à nossa volta é o mesmo nada que constitui a verdadeira essência em nosso interior. Mas essa percepção nos apavora. Por isso, vivemos em fuga do agora. Vivemos em fuga de nós mesmos, para não termos que admitir esse nada em nós.
        Quando descobrirmos que aquilo que julgamos ser nada é a sutil e tão grandemente procurada plenitude verdadeira, a única capaz de nos saciar de desejos e de nos esvaziar de medos, então nos transformaremos: passaremos a desfrutar da grande paz de saber que nossa presença unificada no agora éTudo-que-há.
         Toda forma de fanatismo nos limita e nos separa, tornando-nos divididos e facilmente subjugáveis à minoria situada no domínio do mundo. Ter uma religião e ser contrário aos ateus é estar no mundo pela metade, é estar com o ego em desequilíbrio, da mesma forma que aquele que é ateu e contrário aos religiosos. A minoria posicionada no ápice do Sistema Dominante do Mundo consegue dominar e explorar a imensa massa composta pela maioria impactante da população mundial, apenas manipulando nosso desequilíbrio egocêntrico.
         A minoria situada na Cúpula Dominante Mundial nos permite a escolha entre diferentes ideologias, enquanto nos dá a impressão de liberdade. Mas, independente do partido político ou da crença, continuamos submetidos ao desequilíbrio egocêntrico e, distantes da percepção da verdadeira realidade.
     Não importa o vencedor de uma eleição, porque todos se encontram submetidos ao domínio egocêntrico e financeiro do mundo -- na verdade, só existe o mesmo partido disfarçado de muitos. Mesmo os diferentes tipos de regime como comunismo, socialismo ou capitalismo, apenas são disfarces para o único regime egocêntrico que domina o mundo, por todo o Globo Terrestre.
       Nossos algozes melhoram a nossa condição de sobrevivência, apenas objetivando retirar de nós maior lucro. 
        A diferença está apenas nas múltiplas "fachadas separatistas", como acontece com os diferentes credos religiosos e ateístas em torno do mundo: são facilitados pelos nossos dominantes para nos dar a impressão de liberdade de escolha, mas na verdade, deixam-nos digladiando entre nós e nos enfraquecendo, impedindo-nos de perceber o status quo.
     A mídia difunde ser responsabilidade da maioria carente a sustentabilidade planetária, incitando o partidarismo Pro Ecologia: mais uma forma de manter nossos cérebros funcionando ininterruptamente, dificultando-nos a perceptividade da verdadeira realidade, muito diversa daquilo que a Matrix nos faz acreditar. Nossa análise cerebral envolve comparar dados e efetuar o julgamento separador do bem e do mal em nós e à nossa volta. Portanto, mantém-nos separados e facilmente domináveis. 
        O lixo doméstico representa uma parcela ínfima em comparação com o absurdo quantitativo de lixo gerado na produção desenfreada deste sistema incitador do consumismo, porque busca o lucro a qualquer custo. Mas nos empurra a responsabilidade pela destruição planetária e pela fome e miséria das criancinhas da África, enquanto o verdadeiro "Buraco Negro" continua invisível.
      Vivemos inseguros e sempre temerosos por uma aniquilação em qualquer “esquina”. Sobrevivemos subjugados por uma Imagem Idealizada tirana. Vivemos aprisionados no circuito egocêntrico, enquanto nosso cérebro contorna o mesmo ponto estagnado no passado.
 
  Livre arbítrio significa liberdade de escolha. Como poderia um escravo egocêntrico ter liberdade de escolha? Portanto, enquanto estivermos escravizados pelas nossas Imagens Idealizadas e aprisionados no passado, girando em torno de um ponto estagnado das nossas infâncias, não acessaremos o nosso livre arbítrio.
 O presente é o único tempo possível de realizações genuínas, cujos resultados sempre promovem benefícios coletivos. Nosso cérebro é incompatível com o presente, pois analisa dados consolidados no tempo passado, portanto nunca presenciando o instante zero do novo. Por isso, somente acessaremos o livre-arbítrio e nos autoconheceremos quando decidirmos transcender o nosso cérebro  analítico, para acessarmos a Nossa Verdade e o nosso livre arbítrio no agora.
   Somente no presente podemos acessar a Nossa Verdade para fazermos sintonia com oConsciente Coletivo através do Elo Vital Criativo que nos une e nos move em direção à nossa criatividade genuína de bem aventuranças para todos.
 Nosso livre arbítrio é acessado quando nosso ego fica devidamente equilibrado. Sem hipertrofia e sem fraqueza, ele decide se entregar com boa vontade a tudo que o desdobrar do agora nos traz, mesmo que seja em estado de rendição. Nesse estado, deixamos de corresponder ao comando tirano da Imagem Idealizada, para a qual nunca algo é bom o bastante. Assim acessamos a Nossa Verdade --nossoregresso para casa”. Tal situação está representada na Parábola Cristã do Filho Pródigo: significa a consciência que somos se tornando consciente de si mesma.
    Personagens bíblicos representam arquétipos com um traço em comum envolvendo transgressão de regras pré-estabelecidas, pois para acessarmos uma Nova Era teremos de enfrentar o desafio do novo, ou seja, teremos de abdicar do pressuposto estado de conforto e segurança.  Em troca, passaremos a trilhar por caminhos que nunca antes foram trilhados.
    Temos que sair da segurança representada pelo cumprimento “cego” de regras arcaicas e disfuncionais, para tomarmos posse do nosso livre-arbítrio. Então deixaremos um legado representando a possibilidade de acesso ao novo.
   Ainda não percebemos o padrão egocêntrico que nos impede de conhecer a nossa genuína criatividade de bem-aventurança para todos.
   Ainda não atingimos o estágio da Nova Era da Humanidade Desperta – a “Terra Prometida” ou a “Nova Terra Habitada Pela Nova Humanidade Desperta”.
  O contínuo giro reativo do nosso ego impede a nossa boa vontade ao presente e nos impede de conhecer a eternidade contida em cada desdobrar do agora -- a “Arvore da Vida” com seu contínuo desdobramento em novos galhos.
   O equilíbrio do nosso ego pelo equilíbrio entre os opostos resulta no caminho do meio, aquele que dá acesso ao nosso livre arbítrio. Ancorados em Nossa Verdade, agimos no mundo enquanto nos lembramos de nos manter em nossa expansão além do nosso ego, onde nos unificamos a Tudo-que-é.
  Acessaremos no presente aNossa Verdade e perceberemos o Elo Vital Criativo que nos une no Consciente Coletivo e que nos direciona à nossa criatividade genuína de bem aventuranças para todos. Então faremos as necessárias transgressões de regras arcaicas e disfuncionais resultantes do nosso medo do novo, as quais nos aprisionam dentro de um contínuo giro em torno de um ponto no passado. Somente assim teremos acesso à Nova Era da humanidade na Terra.
    Uma historinha do Zen Budismo ilustra a nossa necessária transgressão de regras pré-estabelecidas arcaicas e disfuncionais:
   “Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então o mestre ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois da morte daquele mestre, o gato continuava a ser amordaçado durante as práticas noturnas de meditação. E, depois da morte daquele gato, outro gato foi trazido para o monastério e continuou a ser amordaçado durante as práticas noturnas de meditação. Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática noturna de meditação.”
    O nosso autoconhecimento nos permitirá ver a nossa condição de escravos egocêntricos em contraposição à unicidade e atemporalidade da “essência que somos”, e resultará em nossa aceitação e boa vontade ao eterno desdobrar do agora, mesmo que seja em estado de rendição, independente do conteúdo que ele nos traga -- eternidade.
Uma lenda oriental ilustra o nosso desconhecimento sobre a essência unificada Daquilo-que-é:
Uma pequena onda percebeu que não era igual às outras e disse:
   “Vejo tantas ondas maiores e mais poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil...”
    Mas outra onda lhe respondeu:
    “Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas a tua natureza original. Anseias egoisticamente por aquilo que não és, e mergulhas em autopiedade!”
     Então a pequena onda replicou:
    “Mas, se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”
      E, ouviu a seguinte resposta:
    “Ser onda é temporário e relativo. Não és onda. És água!”
     Ao que replicou pasma:
    “Água? E o que é água?”
      E, obteve como resposta:
      “Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egoica insatisfação.”
      Abaixo, segue-se outra lenda oriental que também nos mostra como palavras não podem descrever a nossa natureza original:
         “Um Mestre Espiritual foi convidado por um grande imperador para fazer uma preleção sobre a natureza do agora, ou seja, Daquilo-que-é. No salão principal do palácio, o imperador juntamente com seus ministros e mandarins aguardavam-no solenemente. Ao chegar, o Grande Mestre subiu ao púlpito e observando atentamente os presentes, guardou silêncio e depois, retirou-se. O monarca surpreso recebeu a explicação vinda de um ministro de que o Mestre Espiritual havia transmitido tudo o que podia, no assunto em questão.”
       O nosso ego devidamente equilibrado suspeitará haver mais na vida do que o limitado circuito de desejos e medos, e buscará a transcendência para além de si mesmo, decidindo se entregar com rendição e boa vontade ao momento presente, onde acessará a Nossa Verdade.
 Nosso ego ao acessar o livre arbítrio decide “viajar” para muito além da nossa insaciável busca por realização de desejos egocêntricos, e para muito além da nossa interminável fuga de medos, deixando-nos iluminados pela abertura da percepção da Nossa Verdade Unificada, no presente.
      Sem acesso ao presente, ficamos em sintonia com o Inconsciente Coletivo, repleto de dor e de sentimentos contraditórios de carência e de medo, direcionando-nos para a separação que o medo e a carência subsidiam. Nesse estado, nossas criações são norteadas por interesses contraditórios, incoerentes, imaturos, gananciosos, medrosos e destrutivos, que resultam em desastres ambientais e sociais.
   Não sabemos que repetimos um padrão reativo a cada questão existencial. Entretanto, enquanto nos mantivermos condicionados por nossas reatividades egocêntricas, passaremos as nossas vidas em sofrimentos, dominados pelo egocentrismo e presos no giro egoico em torno de um ponto estagnado no passado. Nesse estado, sentimo-nos “fazedores” e nos percebemos cada qual como um deus para o seu mundo particular.
       Persistimos sempre em busca da realização de desejos insaciáveis, enquanto ao mesmo tempo nos sentimos indefesos e inseguros em busca de proteção. De forma compulsiva, compramos os melhores carros, as melhores roupas, as mais saborosas iguarias e viajamos para localidades consideradas exóticas. Porém, nunca atingimos a plenitude, não importando os recursos materiais a que, porventura, tenhamos acesso.
       Quando seguimos as vontades instintivas em nossa busca incessante pelo prazer egocêntrico, prejudicamos a nossa própria saúde e causamos danos ao nosso entorno. Pois, devido à nossa interconexão com todos, sempre que nos prejudicamos, alteramos tudo à nossa volta.   
       Todavia, a nossa reatividade sempre crescente nos deixa no passado e em sintonia com o Inconsciente Coletivo, trazendo-nos o sofrimento que culminará por nos direcionar para a adoção de uma postura de rendição, aceitação e boa vontadeÀquilo-que-é. Livres do controle da Imagem Idealizada, “regressaremos para casa”, para a Nossa Verdade, e assim acessaremos o livre arbítrio.
       Entretanto, enquanto continuarmos sendo controlados pelos nossos egos, continuaremos distantes da Nossa Verdade, e o nosso livre arbítrio não poderá ser acessado. Por isso, não existem culpados ou vítimas nos mais variados setores da existência humana. Apenas somos levados pelas circunstâncias da vida, durante todo o percurso do nosso “mergulho” na existência terrestre, enquanto permanecermos “fazedores” separados e autônomos.    
         A maioria de nós ainda não atingiu o equilíbrio do ego. Portanto, a maioria de nós ainda não acessou o nosso legado de seres dotados de livre arbítrio.
        Entretanto, quando o nosso ego se encontrar devidamente equilibrado poderá acessar o livre arbítrio e nos direcionar para a abertura que garante a nossa volta à percepção da nossa Realidade Magnífica.
  Quando o nosso ego equilibrado deseja e transcende a si mesmo, passamos a manifestar boa vontade a cada momento presente, independente do seu conteúdo, porque já podemos entender que as situações desfavoráveis em nossas vidas são colheitas das nossas ações passadas equivocadas. Descobrimos então que a Nossa Verdade transmuta nossos sofrimentos passados e nos leva à compreensão da nossa ausência de culpa: perdão incondicional para todos.     
        Então ficamos completos sem nada a desejar ou a temer, e todas as nossas ações se tornam adequadas. Assim atingimos sempre os melhores resultados, ainda que em muitas ocasiões não os entendamos de imediato.
        Quando percebemos que tudo está como deve ser, manifestamos aceitação e boa vontade ao momento presente, independente das circunstâncias que esse momento contenha: esse é o caminho estreito que nos leva à abertura da percepção da Nossa Verdade e do elo vital criativo que nos une no Consciente Coletivo, movendo-nos em direção à nossa criatividade genuína geradora de benefícios coletivos. Assim nos mantemos com acesso permanente às melhores soluções para o nosso mundo interconectado. 
    Somente então assumiremos o nosso legado de seres dotados de livre arbítrio e poderemos escolher o que virá além da satisfação imediata de um desejo, porque não mais seremos comandados pelos nossos desejos egocêntricos insaciáveis.
      Ao assumirmos uma conduta de rendição, com aceitação e boa vontade Àquilo-que-é, mesmo a dor mais pungente será amenizada, porque nossa Presença Verdadeira desconhece o medo que a tornaria terrível.
       A complexidade mental humana nos garante a instalação do programa de separação e de autonomia, para nos permitir enxergar a Nossa Verdade, a partir do contraste representado pela limitação, pois nos faz nos posicionar em nossa Imagem Idealizada.
       Mas enquanto nos demorarmos nesse estado de identificação egocêntrica, permaneceremos distantes da nossa Verdadeira Presença -- permaneceremos assim até que tenhamos atingido o equilíbrio da nossa personalidade pelo resgate de todos os opostos que nossa Imagem Idealizada tornou inconsciente ao longo de décadas. Então acessaremos a nossa unificação no presente – onde o caminho estreito representado pelo Elo Vital Criativo nos une e nos move em direção à criatividade genuinamente coletiva -- nosso “regresso para casa”.
      Entrar e sair da sensação de separação e de autonomia conferida pela nossa existência na limitação material é como entrar e sair de um labirinto. A porta de saída é a mesma de entrada – ramo descendente da dupla espiral do nosso ego, o qual nos confere a sensação de depressão. Mas, em verdade, esta é a porta de saída, através da qual, teremos a possibilidade de acesso ao famoso “caminho estreito”. Aquele caminho que irá nos direcionar à nossa unificação grandiosa e criadora de bem aventuranças coletivas – a Nova Era na Terra.
      A nossa desventura é representada pela grande dificuldade de acesso ao nosso estado de liberdade de escolha em Nossa Verdade, simplesmente porque ainda a desconhecemos. Envolvidos em nossos condicionamentos egocêntricos, pensamos que somos a Imagem Idealizada, e desconhecemos que Ela esteja a nos aprisionar no passado.
       Como buscar por liberdade, quando desconhecemos que somos prisioneiros?    
        Entretanto, a cada dia se alarga a abertura da nossa percepção daVerdade, porque o “véu egoico” se afina à medida que nele se abrem “frestas” representadas pelos repetidos flashes da nossa presença no agora.                                                                                  

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