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Amarilia Teixeira Couto






Tempos de (des) amor

“O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
Com seus olhos cediços,
Põe caco de vidro no muro
Para o amor desistir.” (Adélia Prado; Corridinho)



Tempos de (des) Amor


O amor ainda persiste.
Quer abraçar o mundo,
Entrar nos corações,
Envolver as multidões,
Trocar o rifle pelo abraço.

O amor já não vem pelos correios,
Mas aparece no virtual.
E trapaceia,
Mente idade,estado civil
E se declara amante à moda antiga,
Quando só quer aventura banal.

Os cacos de vidro de antigamente,
Que cerceavam os pulos
dos Romeus da época,
Hoje são cercas elétricas,
Mas apenas pra afastar bandido.

Os tempos são outros.
O amor vem perdendo terreno
Para o egoísmo,
Para as modernidades,
Para a intolerância.


Moça na janela tem mais não.
Flerte na pracinha já se foi.
Pedir pra namorar,meu Deus!
Coisa de antanho.


E a ternura se esvai a cada dia
Como bolhas de sabão levadas
Pelo vento.


O amor não mais monta cavalo
Nem chega de trem.
A açucena colhida no jardim
Pra arrancar um “sim” da amada
Murchou, amarelou no tempo.


O amor moderno pede cerveja
Se adentra
Dorme no quarto da namorada
Se locupleta de intimidades.



Algumas vezes sim,outras não,
Inflama-se de poesia.
Faz juras,
Manda flores.
Quer casar pra sempre,
Derrama-se em lágrimas
Ouvindo “24 horas de amor”
Ou coisa parecida.
Até porque
O amor é muito igual,
Revela-se da mesma maneira
Hoje tão corriqueira.


Mas o amor persiste.
E segue sua caminhada.
Da namoradeira na janela,
Esperando a corte do amado
Às baladas e folias de axé,
O amor é manhoso,
Usa os truques possíveis,
Ludibria,
Falseia,
Incendeia.
Pois o amor pode ser tudo,
Mas calmaria ele não é


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