Hugo Arcanjo Araujo de Oliveira






E Se...

 E se as flores não tivessem espinhos?
E se amores não tivessem carinhos?
E arvores não tivessem passarinhos?
E se meus pés caminhassem sozinhos?
 
E se armas disparassem lindas flores?
E se feridas não causassem dores?
E se o tato omitisse seus sabores?
Se Magalhães não expusesse os amores?
 
Se esse café não for o da vizinha?
E se chover e estiver sem sombrinha?
Se a escova de dente não for a minha?
E se na hora não tiver camisinha?
 
E se o oceano não fosse tão profundo?
Se o planeta fosse apenas um mundo?
E se o racismo não fosse tão obscuro?
Se no fundo ninguém tivesse um furo?
 
E se a Amazônia não fosse um pulmão?
E se todos tivessem coração?
E se ela retornar a ligação?
O que é que eu deveria dizer então?
 
E se o homem na lua foi uma farsa?
E se a ironia for uma ameaça?
E se o pentágono for uma suástica?
E se aquela imensa bunda for flácida?
 
E se a escravidão tivesse morrido?
E se o arco-íris não fosse colorido?
E se as crianças nascessem sem umbigo?
E se a lágrima for de um bom sorriso?
 
E se do blues o rock não nasceu?
E se só o Elvis Presley quem não morreu?
E se não existisse tchau nem adeus?
Quem irá pagar a conta do Abreu?
 
E se tiver na cara o que se sente?
E se o inteligente for um demente?
E se o culpado for mesmo o inocente?
Mas por onde anda toda aquela gente?
 
E se não existisse nem céu, nem chão?
E se ninguém tivesse religião?
Se a fome morresse apenas com pão?
Se a pena for à morte e não a prisão?
 
E se o salário tivesse um aumento?
E se a saudade for um só lamento?
E se pudéssemos voltar no tempo?
Se pudéssemos controlar o vento?
 
Se os olhos não fechassem ao beijar?
E se os olhos não abrissem ao acordar?
E se a saudade doesse a machucar?
Se nós não pudéssemos duvidar?
 
E se as borboletas odiassem os jardins?
E se esse poema um dia tiver um fim?
E se o “se” soubesse o quão infinito és?
Não existiriam nem dúvidas, nem mãos, nem pés.
 
(Hugo Arcanjo Oliveira)

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