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Amarilia Teixeira Couto






Cinderela,eu?

Cinderela, eu?

(...)

Namorar quem?
Minha alma nasceu desposada
com um marido invisível.
Quando ele fala roreja
quando ele vem eu sei,
porque as hastes se inclinam.
Eu fico tão atenta que adormeço
a cada ano mais.
Sob juramento lhes digo:
tenho 18 anos. Incompletos.

( Adélia Prado in: A bela adormecida)



A minha alma também nasceu desposada
Mas nunca se deu conta disso
Andou por aí em vãs tentativas
Se derretendo por falsos príncipes
Alguns deles já tinham os pés de sapos
Outros se denunciaram no coaxar
Monótono e sem graça
Até encontrei alguns mais atrevidos
Que quase me enganaram
Mesmo sendo eu uma mineira pra lá de desconfiada
É que me trouxeram flores com bilhetinho
Ah, como não cair de quatro?


O meu marido também sempre foi invisível
Às vezes sentia nitidamente sua presença
Ou melhor pressentia
É que minha emoção burilada
aos pés das montanhas
Ou nas hortaliças dos quintais
Me faz ver coisas inusitadas
Ou sentir em demasia


Então o meu amor de outras eras
Se materializou há pouco tempo
Sem coaxado graças a Deus
Mas também me traz flores
e infinitos bilhetinhos
E me faz feliz como ninguém

Além do mais
me sinto com ele desposada faz tempo
Já fizemos até bodas de prata
E não perdemos o frescor
Do primeiro encontro

Mas ainda não completei a maioridade
E fico atenta aos seus pés
Virará sapo um dia?


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