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JOSÉ REINALDO FELIPE MARTINS FILHO






Poesias...

Sagrada Nudez

Vestida com um sorriso
invade-me todo.
Cabelos ao vento,
olhos ao léu,
que doçura!
 
Somente um sorriso,
nada mais.
Nem roupas, nem jóias;
nada que perturbe a vista
ou distraia o atento olhar.
 
Na ausência de tudo
dá-se toda.
Inteira!
Pois a perfeição,
que sob o manto velas,
à luz da verdade
não se deixa escapar.
 
NADA entre as faces de ti mesma!
 
Toda inteira.
Nos despojos de um corpo
nu – não ao acaso –
a sutileza da mulher
que encanta,
seduz e enamora.
 
O que fazer nesse delírio?
Toma-me como teu:
rendo-me a ti!
Pois, no romper de tal embate,
entregar-me todo
é vencer!

Mãe-Lua-Jaci

Oh! deusa dos fortes,
ao breu repeli.
Com teu brilho intenso
à noite aclarai.
Ao sul e ao norte
fazei refulgir
a luz de tua glória,
em teus filhos, ó mãe.
 
Ao branco e ao negro
amparai, protegei;
deitados ao colo
fazei-os dormir.
Os males do medo
afastai de tua grei,
guardai, mãe do céu,
os que esperam em ti.
 
Descida à Terra
em formas humanas
tua boca proclama
celestes conselhos:
“Não ódio, não guerra,
poupai tanta gana!”
Do amor que nos fala,
és tu nosso espelho.
 
Tu foste presente
do deus dos tupi,
içada no céu
como marco de amor.
Qual brilho esplendente,
safira ou rubi,
resplende teu véu
de beleza e fulgor.
 
Voltando às alturas,
jamais te esqueças
dos filhos diletos
deixados aqui.
Olhai quanto a amaram,
ó mãe das estrelas;
olhai, quanto afeto,
Mãe-Lua-Jaci.

PESADA INEXISTÊNCIA
 
Perdidos numa existência,
para muitos, inexistente,
corações se entrelaçam
na idade de suas almas.
 
No peito, o aperto surge
e a voz se emudece.
Urgente faz-se o toque
no âmago do ser.
Indefesos e desprovidos
de algo que os mereça.
 
Onde estarás, ó alma minha?
Onde estarás, ó juízo?
Tua voz já não ouço!
Meus sentidos me enganam!
Teu toque, onde está?
 Não está ao meu alcance.
 
Serás, tu, uma ilusão?
Obra d’ algum cético mortal?
Como somos pobres!
 
Apartados pela imensidão;
avassaladora imensidão da existência.
Infeliz limitação
à que acorre todo mortal,
no esvair de sua razão;
sua tão cara racionalidade.
 
O que te resta agora?
O que te resta no delírio?
Nada!
Todo o resto é podre;
todo o resto é lixo!
 
Abraçados no infinito
permanecemos,
nós e eles:
os inexistentes.
 

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