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Amarilia Teixeira Couto






Avec elegance

Avec elegance (reeditado)

Recebi um dia desses
um texto lindo por email,
cujo tema era a elegância
do comportamento,
e,
no exato momento
em que o lia,
o desejo de parafraseá-lo
me veio
de imediato.

Sei que o ato de escrever
implica em muitos plágios,
ou licença poética,
ou
simplesmente uma apropriação
quase indébita
do que foi lido.
Digo "quase",
pois o leitor,
à medida que se encanta
com o que lê,
vira também um co-autor
do que foi criado,
Assimila o conteúdo
a sua maneira
e,
mesmo que queira,
nunca o reproduz
fidedignamente.
Então voltando à elegância,
me lembro do quanto
está fazendo falta
uma postura elegante
no comportamento humano.
Em várias situações,
as mais prosaicas
ou até onde a etiqueta
deveria existir,
deparamos com o gesto grosseiro,
a atitude estúpida
ou respostas no mínimo
inadequadas.
Mas é no campo das emoções
que a deselegância impera.
Nos relacionamentos afetivos
virou tudo uma grosseria.
Se o homem deseja uma mulher
utiliza muitas vezes
de palavras vulgares para abordá-la.
Se consegue uma noite romântica,
no outro dia põe banca
e nem uma ligação faz.
Mandar flores,
dizer que foi bom demais
que quer reviver tudo de novo,
então nem pensar.
Por outro lado a mulher
abriu mão de ser feminina,
esconde os seus sentimentos,
a sua personalidade
para não perder o homem casual.
E assim, neste código inexistente
de uma ética amorosa,
ficamos mais e mais carentes
e vamos perdendo o que pode ser
depois de uma noite saborosa,
os possíveis desdobramentos
de algo bem vivido.

Anda todo mundo buscando
não se sabe o quê,
Com medo de uma aproximação
maior,
elimina-se a possibilidade
do afeto.
Aí a elegância
vira algo banal,
pois na relação com o outro ser,
tudo ficou muito igual.
Não é preciso lembrar do aniversário,
nem dizer muito obrigado,
muito menos ainda
se desculpar de um vacilo,
esclarecer o que não foi entendido.
Vamos deixando ao acaso,
nos condenando aos descasos
aos lapsos de memória,
achando tudo normal.
Mas bem lá no fundo
de nossa memória,
temos saudade de uma
atenção sincera,
de gestos delicados de verdade
e não só pra fazer tipo.

A elegância que faz falta
não é aprendida na escola,
é fundamentada
nas observações detalhadas
do mundo que nos cerca
e,
principalmente,
de nossas relações
do cotidiano,
que mostram,
sem dúvida alguma,
o quanto é prazeroso
receber um sorriso franco,
uma demonstração de carinho,
um agradecimento informal
e uma declaração de amor
inesperada.

É isso. Acho que muitas
pessoas além de mim
querem o fim da grosseria
e o retorno do tempo romântico
da cortesia.


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