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Amarilia Teixeira Couto






Um novo jeito de amar (reeditado)



Aquela paixão que já senti,
que me fazia refém do seu olhar
e me deixava embriagada
de todo o seu corpo,
talvez nunca mais a sinta
de forma tão intensa e possessiva.
É que o tempo,senhor absoluto
de todas as coisas,
de todos os seres,
que na verdade
é o outro nome de Deus,
mudou o meu jeito
de estar no mundo,
ajuizou um pouco o meu coração,
que deixou de ser um latifúndio,
cujo dono exclusivo
não o cultivou devidamente,
deixando boa parte de sua extensão
totalmente inexplorada.

Há muito estou na estrada,
como mulher caminhante,
à procura de seus semelhantes
pra compartilhar felicidade.
Aqui e ali encontrei tristezas,
decepções também me saudaram
no caminho,
mas nada disso me fez
abrir mão de mim
e do meu arsenal de carinho,
única arma que sempre tive
pra enfrentar os leões de cada dia.

E as paixões de outrora
me servem de porto agora,
quando não mais quero aquele frenesi.
Estou no instante
em que um bom vinho,
aliado a um delicioso aconchego,
me despertam o desejo
ainda mais sensual,
posto que não é devastador.
Quero a ausência da pressa
a quentura que vem aos poucos,
os sussurros mais suaves que loucos
e que me acendem inteira.

Nesse novo olhar que tenho,
não mais me contento
com o que não é inteiro,
mesmo que tenha apenas o momento,
há de ser deliciosamente lindo,
pois se o tempo é finito,
o amor deve ser pra sempre.
O poetinha Vinícius,
que nessa seara foi mestre,
já dizia que:
"E assim ,quando mais tarde me procure (...)
quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure".


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