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Amarilia Teixeira Couto






Quando eu soltar a minha voz...

"Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar "(Gonzaguinha)

Tenho esse modo de amar
que vem de outras eras
não é só o aqui-agora
o meu jeito de amar
tem um quê de mistério

O meu querer
está circunscrito
às montanhas de minério
e de sua limalha
eu faço uma ferrovia
e um comboio inteiro
de bem-querência

O meu olhar segue a sinuosidade
das alterosas
que se erguem majestosas
de todos os cantos
para o grande espanto
de quem quer avistar mais adiante
Não dá!
As gerais limitam o alcance do olhar
a gente viaja para dentro
daí minha vocação é ser
dormente de trilhos
por onde o trem vai passar
rasgando a mata
cruzando pontes
abraçando montes
num ritmo atemporal
do Trenzinho Caipira

Assim vou amando
sangrando
me entregando
de peito aberto
numa vontade férrea
com sabor de rapadura
numa tessitura de sonhos
de silêncios
de volúpias
e de um falar de mãos
de olhares
de quereres

E quando eu soltar a minha voz
por favor
entenda
não saí do prumo
não saí de mim
é minh'alma
atabalhoada
por demais apaixonada
que rompeu com o silêncio
costumeiro
pra gritar ao mundo inteiro
o que sente de nós




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