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Silvio Luiz Titato






A gente se conforma

   Não deveria, mas a gente se acomoda com tantas coisas que o mundo e a sociedade nos ensinam. E muitos de nós não questionamos, apenas aceitamos.
   A gente se conforma que há apenas uma "G"rande e única emissora de TV no Brasil. E muitos nem tentam mudar de canal.
   A gente se conforma com uma única visão de religião. E nós nem tentamos buscar algo diferente, outras filosofias ou, pelo menos, apenas conhecer antes de julgar.
 
   A gente se conforma com o noticiário da TV que só mostra desgraça, aceitando que ver gente morta e catástrofes é um divertido entretenimento, afinal, dá-se audiência com isso. E nós nos esquecemos do lado positivo que a vida pode nos oferecer.
   A gente se conforma em ver homossexuais sendo espancados. E nós acreditamos que lhes é merecido por serem diferentes e aceitamos a ideia que sexualidade é opção.
   A gente se conforma de que um verdadeiro ídolo é um atleta qualquer, um maluco que cria gírias na TV ou na internet. E nós nos esquecemos das grandes personalidades que revolucionaram o mundo com ensinamentos e descobertas.
   A gente se conforma com a ideia de que os negros deveriam sempre estar nas classes inferiores. E nós nem questionamos se a África fosse um continente rico, talvez nunca tivesse sua população escravizada, visto que talvez a escravidão e tudo que ocorreu com os negros tenha sido uma questão social e econômica e nem tanto racial. E que até hoje prevalece a  lei do mais forte ou quem pode mais. E também nos conformamos que quem sempre vai parar na prisão no Brasil é quem não tem poder aquisitivo e vimos grandes ladrões e assassinos de colarinho branco saírem impunes.
   A gente se conforma de que políticos são sempre ruins e ladrões. E nos esquecemos que há tantos que lutam para fazer a diferença e que acreditam no Brasil. E a gente se conforma em generalizar tudo sem questionar.
   A gente se conforma que casar-se é um dever e quem foge a essa regra é visto como um sem rumo na vida. Como se todos fôssemos iguais e devêssemos sempre andar nos trilhos que nos sugerem. E há tantos casamentos de fachada e ainda insistimos em mantê-los para nos enquadrarmos às exigências.
   A gente se conforma com tantas outras coisas que esse texto poderia ter muitas páginas. Nós nos conformamos e quase nunca perguntamos o porquê, não queremos ver além de padrões que nos oferecem, afinal, é melhor usarmos as rédeas que a maioria tem, sem ao menos questionar, é mais fácil. E seguimos a lei do “sempre foi assim mesmo...”  E continuamos todos de rostos diferentes, mas de mentes idênticas e apagadas.

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