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Cleso Firmino






VIOLÃO E VERSOS DE TIÓ

                    Depois de muito tempo, mais de vinte anos em que o violão estava dependurado na parede da sala, Tió após chegar de viagem, pega novamente aquele pinho empoeirado e ensaia meio sem jeito uns acordes aqui, outros ali... mas os dedos estavam duros, enrijecidos pelo tempo.
                    — Estou enferrujado! — Pensou consigo. Também pudera, vinte anos se passaram desde que o deixara ali dependurado.
                    O padre entra e o vê sentado no banquinho tripé ao lado porta.
                    — O que faz com esse violão velho, Tió?
                   — Matando a saudade! — respondeu o rapaz — vou aproveitar e escrever uma música.
                    — Vai falar sobre o quê sua música?
                   — Ah, — respondeu — eu ando meio magoado, por causa do amor de uma danada. Quem sabe não dá uma boa música?!
                     O padre riu-se baixinho por achar graça do que Tió dissera.
               — Você é engraçado Tió, qualquer dias desses, essas paixões repentinas vão te matar.
                  — Mata não padre, paixão machuca, machuca muito! — Exclamou Tió — Mas não mata.
               O padre riu-se novamente e saiu caminhando em direção a igrejinha. Tió ficou ali o resto do dia brigando com aquele violão.
                — Já sei! — Uma luz iluminou a mente do rapaz, e num fechar e abrir de olhos ele rabiscou uns versos. Parecia tão simples, mas quando o padre voltou a música estava prontinha.
                      — Ficou pronta Tió? — Perguntou o padre.
                      — Ficou sim, padre. Escuta aí.
              O padre pôs atenção naquilo, e ele rasqueando o violão, cantou os versos:

                            “Foi num belo mato grosso
                             Há muitos anos atrás
                            Naqueles tempos queridos
                            Que não volta nunca mais...”






Nesse texto rendemos uma singela homenagen ao compositor, de Pé-de-cedro, Zacarias Mourão.


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