Luiz C. Lessa Alves






A ABELHA

 A ABELHA
 
Acabaram-se as árvores;
Flores já não existem mais,
O que me obriga, muitas vezes,
Provar coisas artificiais.
Isso é bem mais arriscado
Do que na mata caçar.
 
Outro dia em atividade,
Em um copo de guaraná,
Alguém perverso, em me ver ali,
Despeja-me refrigerante,
Pelo prazer de me afogar.
 
Mas, um garoto que me viu
Debatendo-me para sair,
Jogou seu picolé fora
E me acudiu com seu palito.
 
Depois de estar refeita,
Pronta para zarpar,
Segurei na gola daquele sujeito,
Na ânsia de me vingar,
Preparei o meu “punhal”,
Para em seu pescoço cravar.
 
Mas, o garoto que me assistia
Pediu licença ao rapaz,
“Moço vire-se de costas,
“Há alguma coisa aqui atrás...”
Pondo logo à minha frente
A sua mãozinha espalmada,
Confiando em mim somente
Pela sua ingenuidade.
 
Entendendo aquele gesto,
Em sua mão eu subi.
E ele com sua bondade,
Levou para bem distante dali.
 
Por não haver mais floresta,
Assim, hoje, levo a vida,
Trabalhando perigosamente
Pelas ruas da cidade, 
A fim de sobreviver,
Não pense que é vaidade!...
E confiar... só em menor,  
Mas, até a sua puberdade!

CopyRight © Cepedê Sistemas & WebSites - Comércio eletrônico.