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Arlete Meggiolaro






Cansaço viceral

No ombro do íntimo
carrego o bornal
com o jornal-vida dos meus dias,
com relatos, crônicas,
contos e poesias
do ontem fui e hoje estou,
do ontem alcancei e hoje restou.
O ombro imo arria com o peso.
Sinto o cansaço viceral.

No crepúsculo da minh'alma,
já nem sei se a calma me afronta.
Sei que os inquietos ponteiros do tempo,
chispam para alcançar o inteiro,
sem se ater nas frações do roteiro.
O circuito veloz me zonzeia.
Ah... este cansaço atroz...
No existir, o sentimento viceral
me apoquenta.

Então, sob a esteira sideral
desato os cordões do bornal.
Do jornal do imo soltam-se e
esvoaçam folhas e folhas.
Releio nas letras garrafais
os desfeitos
e os feitos.
Dali, daquela esteira
os magos do facho alumbram
a branca página.
Agarro-me ao sentimento viceral,
digladio com o cansaço,
abro espaço
para novas façanhas.
Pari da entranha
o existir em mim e em ti.

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